quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Talento de Paulo Barros faz Tijuca conquistar o 3º título de sua história

Rio - Luiz Gonzaga nunca poderia imaginar que estaria um dia na Sapucaí sendo coroado rei diante da presença de Elizabeth II, Pelé, Michael Jackson, Roberto Carlos e tantos outros. Isso só poderia mesmo ser criação do carnavalesco Paulo Barros, que com seu talento e criatividade ajudou a Unidos da Tijuca a sagrar-se a grande campeã do Carnaval e conquistar o terceiro título de sua história (1936, 2010 e 2012). O resultado foi anunciado após uma apuração emocionante nesta quarta-feira, na Praça da Apoteose.
Gracyanne Barbosa exibiu seu corpo à frente da bateria da Tijuca | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia Penúltima escola a desfilar na segunda-feira, a Unidos da Tijuca, que foi vice em 2011, fez uma homenagem ao centenário do autor de "Asa Branca". Quem achava que a escola iria fazer um desfile biográfico, no entanto, enganou-se. A criatividade sem limites de Paulo Barros criou uma "viagem arretada" na qual reis de todo o mundo visitavam o sertão nordestino e conheciam a atmosfera que inspirou o Rei do Baião a compor clássicos da MPB. Quem estava na Sapucaí viu um casamento perfeito do estilo pop do carnavalesco com o melhor jeito de se fazer carnaval. As alegorias novamente abusaram do recurso que consagrou o artista: as coreografias com elementos humanos. As fantasias, extremamente bem acabadas e funcionais, também ajudaram na compreensão do tema.
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia A bateria de mestre Casagrande garantiu a sustentação do ritmo com competência e diversas paradinhas, sendo bastante aplaudida pelo público. O carro de som, comandado por Bruno Ribas, contou com o auxílio luxuoso de um sanfoneiro. Em sua estreia na Tijuca, Gracyanne Barbosa abusou da sensualidade e chamou a atenção das arquibancadas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Marquinhos e Giovanna deu um show de profissionalismo, entrosamento e encantou com seu bailado. A dupla inovou e desfilou interagindo com um cenário que lembrava o sertão. Uma verdadeira lição de como usar e aproveitar os chamados "guardiões" de maneira adequada. Bastante aguardada pelo público, a comissão de frente representou a sanfona de Luiz Gonzaga com integrantes se transformando no instrumento, mas não teve o efeito arrebatador verificado nos anos anteriores. Mesmo assim, a agremiação do Borel fez história novamente e agora pode comemorar. "A união dessa equipe toda motivou a vitória. A gente trabalhou muito e graças a Deus somos campeões", vibrou a coreógrafa da comissão de frente, Priscila Motta.
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia Mola da Tijuca ferve a Sapucaí Um ex-ginasta romeno foi a ‘mola humana’ que levou a Sapucaí ao delírio quando a Unidos da Tijuca entrou na Avenida, na madrugada de terça-feira. Formada por 15 bailarinos, a comissão de frente com sanfonas que ganhavam vida e a performance importada do atleta, como fole multicolorido que se agigantava, rebolava e se enroscava, arrancou gritos de ‘É campeã’ já no Setor 1. A ideia da comissão surgiu a partir da performance do romeno Veniamin, vista pelo carnavalesco Paulo Barros na Internet. A mola do ex-ginasta virou a sanfona que ganha vida, lembrando Luiz Gonzaga e seu instrumento. “Já fiz shows e apresentações em muitos países do mundo. Mas esta foi a primeira vez no Brasil. Estou impressionado com a energia das pessoas. É muito legal ver como o público vibra e participa”, comentou o ex-ginasta, que mora em Orlando (EUA). Sanfona 'Viva' O treinamento foi à distância. “Fizemos ensaios Rio-Orlando, mandando e recebendo vídeos”, conta Priscilla Mota, coreógrafa da comissão com o marido, Rogério Negri. O artista ensinava seus movimentos e aprendia a história de Luiz Gonzaga. “Tivemos de abrasileirar o Veniamin”, brinca ela. As sanfonas eram abertas e dançavam. Ao fim do número, os personagens Maria Bonita e Lampião, abriam porta de onde saía um fole – a mola da sanfona – que rolava pelo chão e fazia acrobacias. “Além de usarmos a canção ‘Vida de Viajante’ como referência, queríamos fazer como se a sanfona ganhasse vida e saísse para pular Carnaval”, explica Priscilla. Veniamin ensinou como se movimentar dentro da mola. “Dentro da vestimenta, não há como ver e escutar bem. Naquela estrutura, ele mistura contorcionismo e ilusão, que fazem parecer que ele tem mais de 2 metros”, revela Priscilla. Foram três meses de ensaios que, no último mês, foram diários e com oito horas de duração. “Foram muitas noites e madrugadas treinando”, conta Tatiana Mello, 31, a Maria Bonita. Fonte: O Dia/Raphael Azevedo

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