quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O rastro da Troika nas economias europeias
Para piorar um pouco as coisas, a Grécia entrou em seu quinto ano de recessão. As estimativas mais pessimistas sugeriam uma contração de 5.5% do PIB grego em 2011 5,5%. Mas, as últimas estimativas indicam que a queda será de 6%. Pelo andar da carruagem, sabe-se que não haverá superávit até 2013.
Contudo, em troca do segundo pacote de ajuda da União Europeia, de 130 bilhões euros, o governo do novo primeiro ministro grego, Lucas Papademos, aceitou não apenas a presença permanente da “Troika” (nome dado à junta de interventores do Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) no país, para fiscalizar se as metas acordadas estão sendo cumpridas, como também a criação de uma conta vinculada, que prioriza o pagamento da dívida. Hoje a impagável dívida grega situa-se no patamar de 160% do PIB (Produto Interno Bruto). Sem falar nas medidas já tomadas, a exemplo da redução e do congelamento de salários e aposentadorias e do compromisso de demitir 150 mil funcionários até o ano de 2015.
É quase um consenso a possibilidade de nada disso adiantar e de o país ter que pedir ainda outro empréstimo, ou dar um calote. Outros países europeus em maus lençóis são Espanha, Portugal, Irlanda…
Perda de soberania
A violenta contração das economias de vários países europeus, a subida do risco e dos juros pagos sobre suas dívidas, a queda da arrecadação, a liquidação do patrimônio público, a falência de milhares de empresas e – pior – a perda da soberania e da capacidade de mobilização dessas sociedades são o resultado da política da “Troica”.
A situação chegou a tal extremo na Europa que David Cameron, o primeiro ministro britânico, lançou um manifesto com doze pontos. O primeiro diz tudo: os bancos não devem ser salvos com dinheiro dos contribuintes e, sim, arcar com as consequências de suas insanas políticas especulativas; e o ajuste das contas públicas e das dívidas soberanas não pode ser feito sem políticas de crescimento e de emprego. O recado é simples. Mas absolutamente ignorado pela Alemanha e pela França.
Fonte: Correio do Brasil
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