sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Homs: forças de Assad disparam artilharia e 5 morrem
Bairros rebeldes da cidade de Homs foram bombardeados violentamente nesta quinta-feira pelas forças do regime sírio, especialmente no bairro de Baba Amr, onde as comunicações foram cortadas
Artilharia do governo sírio disparou e matou cinco pessoas no distrito de Baba Amro, na cidade de Homs, nesta sexta-feira, disseram ativistas da oposição na terceira semana de bombardeios contra bairros oposicionistas da cidade. ”Baba Amro está sendo atingida por artilharia de 122 milímetros direcionada contra o bairro vindo de vilas vizinhas. Um pai e seu filho de 14 anos estão entre os mortos. Eles estavam tentando fugir do ataque, quando foram atingidos na rua”, disse Mohammad al-Homsi.
Segundo a ONU, mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, já morreram na repressão aos protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de “terroristas armados” que, com patrocínio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.
É difícil confirmar os relatos do governo e da oposição, já que quase toda a imprensa estrangeira foi expulsa do país.
repórteres feridos
Jornalistas ocidentais presos no interior de um bairro rebelde cercado pelas forças do governo na Síria fizeram um apelo nesta quinta-feira por um cessar-fogo para que possam ser retirados e recebam tratamento médico adequado.
A jornalista franceses Edith Bouvier e o fotógrafo britânico Paul Conroy, do jornal Sunday Times, fizeram o apelo em um vídeo, enquanto o som da explosão de um míssil era ouvido ao fundo.
Eles são dois dos seis jornalistas ocidentais que ficaram sob ataque na quarta-feira, quando forças sírias atacaram o prédio onde eles estavam escondidos em Baba Amro, um reduto da oposição na cidade de Homs, na região central da Síria.
A jornalista norte-americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Rémi Ochlik estavam entre os 80 mortos em bombardeios na cidade na quarta.
Ativistas na Síria afirmam que o bairro está atualmente cercado por tropas sírias que disparam mísseis esporadicamente na área. O vídeo de Boivier e Conroy foi publicado no YouTube pelos ativistas.
Bouvier, apoiada em travesseiros e debaixo de cobertores, disse que os médicos do hospital de campanha a atenderam da forma que podiam, mas não tinham equipamentos para operá-la. ”Preciso ser operada o mais rápido possível”, disse ela.
Bouvier, com a coxa enfaixada e aparentemente calma, disse que seu fêmur estava quebrado. ”Gostaria que um cessar-fogo fosse imposto o quanto antes possível e que um carro com equipamento médico, ou de qualquer forma algum carro em boas condições, possa nos levar ao Líbano para que possamos receber tratamento sem demora.”
As forças do presidente Bashar al-Assad intensificaram a repressão à revolta de 11 meses contra as quatro décadas de regime da família Assad. Houve bombardeiros em áreas de Homs há 20 dias consecutivos, matando centenas e atingindo prédios.
Ativistas e diplomatas estão trabalhando para tentar retirar os jornalistas do local, assim como o corpo de Colvin e Ochlik.
O Ministério das Relações Exteriores da Síria ofereceu suas condolências às famílias dos jornalistas mortos, mas disse que não era responsável pelos repórteres que entraram ilegalmente no país.
A Síria restringiu o acesso ao país e os jornalistas usaram “coiotes” para chegar aos redutos da oposição.
Nesta quarta-feira, o Ministério da Informação pediu às autoridades que localizassem os estrangeiros “e avisassem sobre a situação dos jornalistas que estariam feridos em Homs”.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que estava tentando negociar um cessar-fogo diário de duas horas em Homs para prestar ajuda aos civis nas regiões atingidas pela violência.
Em sua mensagem de vídeo, Conroy parecia tranquilo e disse estar em boas condições de saúde. ”No momento estou sendo cuidado pela equipe médica do Exército Livre da Síria… Obviamente qualquer ajuda que puder ser dada pelas agências (humanitárias) seria bem-vinda”, disse.
Fontes: Correio do Brasil/Reuters - de Amã/Beirute
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