domingo, 26 de fevereiro de 2012
A apatia da diáspora mexicana
Além de complicações no processo de registro, pequeno número de votos de mexicanos no exterior também reflete um desinteresse com a política nacional
Os cerca de 12 milhões de mexicanos que vivem nos Estados Unidos equivalem a um décimo da população do México, e as remessas que enviam para casa, representam mais de 2% da economia do país. Mas quando o assunto é política, eles são muito menos influentes. Na última eleição presidencial em 2006, eles tiveram o direito de votar pela primeira vez, mas apenas 57 mil se registraram.
A eleição deste ano, no dia 1º de julho, não é diferente. No dia 17 de fevereiro, a autoridade eleitoral anunciou que apenas 62 mil expatriados haviam se registrado no prazo. Três quartos deles eram dos Estados Unidos (principalmente da Califórnia, Texas e Illinois).
Esta fraca resposta se deve, em parte, à dificuldade de registro. Aspirantes a eleitores devem enviar os formulários e fotocópias de identificação pelo correio. O fato do prazo de entrega ser quase seis meses antes da eleição também não ajuda. Um cartão de registro eleitoral perdido ou vencido só pode ser substituído no México, e em pessoa. Logo, os imigrantes que não têm o dinheiro ou os documentos para fazer uma viagem de volta para casa são deixados de fora. O processo parece ser atormentado por erro: 14 mil pedidos foram descartados em 2006, e o mesmo deve acontecer na contagem final deste ano.
Alguns políticos estão nervosos com a simplificação. O Partido Revolucionário Institucional (PRI), com o maior bloco no Congresso, tem razões para se preocupar: em 2006 ele ganhou 22% dos votos nacionais, mas apenas 4% daqueles vindos de mexicanos no exterior, talvez porque muitos deles migraram em busca de trabalho quando o PRI estava no poder até 2000. O custo e a complexidade de registo pode também favorecer a decisão do conservador Partido da Ação Nacional, que ganhou 57% dos votos estrangeiros em 2006. Aqueles registrados em 2006 “tendiam a ser pessoas com alta renda e escolaridade, muito diferente do imigrante típico que parte para os Estados Unidos”, diz Jorge Bravo, cientista político da Universidade Rutgers.
Mas todas as partes têm dúvidas sobre um possível afrouxamento das exigências de registro, já que as eleições mexicanas já foram famosas por suas fraudes. Os votos por correspondência são mais difíceis de serem controlados, diz Joy Langston, um cientista político da Universidade CIDE, na Cidade do México. A aplicação das regras de campanha, como limites sobre a radiodifusão, é mais difícil fora do país. Como migrantes econômicos, muitos dos quais não têm planos para voltar, pode ser mais que boa parte dos mexicanos no exterior simplesmente não esteja muito interessada nas eleições do país.
Fonte: The Economist
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