sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Verba que "sumiu" no Palmeiras pode ter sido usada para subornar fiscais da Receita
A verba inicialmente foi depositada na conta de Renzo pela exigência da Justiça Federal de que tudo fosse repassado a uma agência da Caixa Econômica.
O relatório final do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras sobre os quase R$ 300 mil que sumiram das contas do clube indica que a verba pode ter sido usada para subornar fiscais da Receita Federal. Segundo o documento que será apresentado na reunião da noite desta quinta-feira e o UOL Esporte teve acesso, fiscais foram cobrar pessoalmente os dirigentes da época do último ano da gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, em 2010. No dia seguinte, cinco comprovantes de recebimento adiantado de R$ 50 mil apareceram no caixa.
A análise foi conduzida e assinada por Alberto Strufaldi, Emílio Acocella, Francisco Gervásio Primo e Gilto Antônio Avallone, todos membros do COF, que ouviram os envolvidos no caso. A conclusão foi de que a verba não entrou no caixa do Palmeiras, mas também não entrou na conta dos três ex-diretores que estão sendo investigados pelo sumiço: Francisco Busico, Antônio Carlos Corcione e Pedro Jorge Renzo de Carvalho. Como o destino do dinheiro ainda é desconhecido, o relatório pede a expulsão dos três do quadro de associados e considera o trio culpado.
No relatório, há documentos assinados por Pedro Jorge Renzo de Carvalho e por Antônio Carlos Corcione de dois depósitos na conta do clube de R$ 888.104,22 e R$ 260 mil, datados do dia 6 e 7 de outubro de 2010, respectivamente. A verba inicialmente foi depositada na conta de Renzo pela exigência da Justiça Federal de que tudo fosse repassado a uma agência da Caixa Federal Econômica.
Na época, o banco estava em greve, e o clube não poderia abrir nenhuma conta. Com medo de que a decisão fosse cancelada mediante uma nova ação judicial, Renzo repassou a verba para seu domínio e, em seguida, com o fim da paralisação da instituição financeira, enviou ao clube, segundo documento obtido pelo UOL Esporte.
O fato é que só aproximadamente R$ 1,1 milhão dos R$ 1,4 milhão que a agremiação ganhou na 5ª Vara Cível da Justiça Federal entraram no balanço do clube, também de acordo com o relatório. Segundo explicação de Corcione e de Renzo, eles entregaram a verba no clube e tiraram R$ 30 mil para o pagamento de um escritório de advocacia que agiu em Brasília prestando serviços ao clube neste caso. Há recibo no relatório do COF comprovando a ação.
O documento também contém um protocolo assinado pelo então diretor financeiro, Francisco Busico, de que ele havia recebido os R$ 260 mil em dinheiro vivo. Ele, por sua vez, explica que estava no hospital, acompanhando sua mulher que estava internada em estado terminal, e que assinou sem ver o pacote de dinheiro, apenas confiando em Corcione e Renzo. Sua mulher morreu no dia 7 de novembro de 2010.
Procurado pessoalmente pela reportagem nesta quinta-feira, Busico disse que está tranquilo e que não precisaria roubar o clube para sobreviver. Ele lamenta o fato de sofrer acusações mesmo se dedicando ao clube enquanto sua mulher estava internada. O ex-diretor afirma ainda que por diversas vezes colocou dinheiro do próprio bolso para cobrir furos no caixa, mas sem apresentar comprovantes disso.
Corcione, por sua vez, colocou o sigilo bancário e fiscal à disposição do Conselho para que a decisão de retirá-lo ou não do quadro de associados seja tomada e disse que a investigação vai parar antes da conclusão por intervenção da Justiça Comum. Segundo ele, não há argumentos legais para que um órgão do clube siga com esse processo de maneira interna. Atualmente, Pedro Renzo já está com processo judicial para provar que não tem culpa e estuda cobrar honorários do clube após o fim do imbróglio.
Ambos argumentam que toda a investigação que está sendo conduzida no COF contra eles tem fundo político.
Até o fim do mês, novas testemunhas do caso serão ouvidas. Com esse processo concluído, o presidente da comissão instaurada no Conselho, Seraphim del Grande, vai dar seu parecer. Caso seja decidido que os três devem ser expulsos, a maioria absoluta dos conselheiros, ou seja, cerca de 150 pessoas, precisam acompanhar a decisão do relator.
Fonte: UOL Esporte
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