terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Será que Barack Obama desistiu da diplomacia cedo demais?
A maioria dos republicanos que concorrem à presidência concorda em um aspecto: Barack Obama tem sido mole demais com o Irã
O foco dos republicanos no Irã faz sentido sob dois aspectos. Primeiro, é indiscutível que o Irã é perigoso. O país tem ameaçado navios de guerra norte-americanos no estreito de Hormuz, está desenvolvendo recursos para construir uma bomba nuclear, passou anos ignorando as instruções da ONU para parar de enriquecer urânio, e diz que quer fazer Israel desaparecer. Além disso, o Irã é um problema de segurança nacional que Obama até agora não encontrou nenhuma maneira de resolver. Ele pode ter matado Osama bin Laden, dizimado a al-Qaeda e ajudado a livrar o mundo do grotesco ditador líbio Muammar Khadafi, mas a mão que ele estendeu ao Irã três anos atrás foi recebida com um punho cerrado. Pelo menos aqui, concluíram seus adversários norte-americanos, temos uma área onde sem dúvida podemos acusá-lo de “apaziguamento”.
Mas essa é uma escolha de palavras estranha – a não ser que você acredite que o simples ato de conversar com um inimigo é equivalente a tentar apaziguá-lo. É uma palavra estranha principalmente quando se leva em consideração a pressão sem precedentes que Obama tem, metodicamente, levado o mundo a aplicar sobre o Irã. Ele também insiste que não vai permitir que o Irã adquira armas nucelares, e parece estar recorrendo a todos os meios possíveis antes de declarar guerra (inclundo, alguns dizem, sabotagem, guerra cibernética, e o assassinato de cientistas) para impedi-lo. E se tudo isso falhar, uma guerra também pode estar a caminho. Ele fez questão de deixar claro que ainda mantém “todas as opções” na mesa.
Erros
É claro que Obama cometeu erros. Mesmo tendo prometido que todas as opções continuam na mesa, ele permitiu que sucessivos secretários de Defesa dissessem que bombardear o Irã seria inútil e perigoso, o que pode ser verdade mas enfraquece a mensagem. Ele também se atrapalhou ao responder às demonstrações populares que se seguiram às eleições presidenciais fraudulentas no Irã em junho de 2009. Tendo se esforçado tanto para estabelecer um diálogo com os líderes iranianos, e calculando que o Movimento Verde não seria forte o suficiente para derrubar o governo, ele demorou a condenar a repressão dos protestos, o que o fez parecer fraco. Mas a alegação dos republicanos de que ele desperdiçou uma oportunidade de derrubar o regime é questionável.
Nesses dois países, acusações de apaziguamento já se tornaram parte da retórica oficial. Obama ainda não “fracassou” com o Irã: o Irã ficou mais forte durante o governo de George Bush, e mais isolado durante o governo de Obama. Entre todas as opções que ele supostamente mantém sobre a mesa é possível que esteja outra tentativa de diplomacia.
Fonte: The Economist
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