segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Qual o futuro dos emergentes israelenses?
Mesmo inovando na tecnologia, jovens empresas locais sofrem para conseguir um lugar entre as grandes
O jovem deve gritar se quiser ser ouvido. Em um hangar de pedra no antigo porto de Jaffa, 30 empresários têm cinco minutos cada, para apresentar o start-up de suas empresas a um painel de luminares digital e um público que inclui potenciais investidores. Nem todo mundo na sala está pronto para se calar e ouvir, e por isso os aspirantes devem batalhar contra o barulho. Feng-GUI explica como, simulando a visão humana, pode dizer a anunciantes e designers quais áreas de uma página web têm maior probabilidade de atrair a atenção das pessoas. CopyV promete enviar arquivos grandes de forma rápida e segura. Com Fooducate, “uma nutricionista em seu bolso”, você pode digitalizar, com seu smartphone, códigos de barras no supermercado e descobrir o que realmente está acontecendo em seu carrinho.
Legiões de jovens firmas de tecnologia de Israel clamam por atenção e dinheiro. Eventos rápidos, como esse na DLD Tel Aviv, uma conferência de dois dias em novembro, são comuns. Das mais de 300 empresas inscritas, 100 apareceram, e 30 sortidas foram escolhidas. Yossi Vardi, um empresário da tecnologia que investiu em 75 start-ups desde 1996, diz que, num evento como este, chega a receber entre três e oito abordagens diárias.
Dan Senor e Saul Cantor chamaram Israel de “Nação do start-up” em um livro de mesmo nome em 2009. O rótulo se justifica porque se encaixa. Todo mundo parece estar começando uma empresa com colegas de idade ou colegas do exército, seja num quarto de despensas ou na casa dos pais. Começar um negócio é mais fácil do que nunca, graças aos avanços da tecnologia da informação. Designers de aplicativos para smartphone podem alugar o espaço quando eles precisam em um servidor remoto, ao invés de comprar grandes quantidades de poder tecnológico”. A internet democratizou o direito de inovar”, diz Vardi.
Israelenses estão na obrigação de inovar. A terra é árida, e por isso eles se especializaram em tecnologia agrícola e aquática. Uma inundação de imigrantes na década de 1990 deu um impulso nacional para uma inteligência poderosa. Os resultados são a inveja de quase todo mundo fora do Vale do Silício.
Mas mesmo em Israel, onde se transforma tecnologia em grandes empresas, as coisas são difíceis. Apesar de todas as comparações com o Vale do Silício, Israel não tem gerado uma Hewlett-Packard, uma Intel ou um Google. Suas melhores empresas são frequentemente compradas por gigantes norte-americanas, ainda na sua infância. A maior empresa de tecnologia é a Teva, a farmacêutica que está listada na NASDAQ, uma bolsa de valores norte-americana voltada para a tecnologia, com uma capitalização de mercado de US$ 43 bilhões. A mais importante em tecnologia da informação é a Check Point, uma especialista em segurança fundada por veteranos da Unidade de 8200, um grupo de inteligência da elite do exército.
Empresas muito jovens têm uma boa dose de apoio, que está ficando mais forte. Aceleradores, com os quais empresários podem moldar suas ideias e conhecer conselheiros e investidores, não param de surgir: esta semana, por exemplo, a UpWest Labs, que pretende trazer de cinco a dez start-ups israelenses para uma passagem de dez semanas ao Vale, iniciou o seu primeiro programa. Bem como conhecer pessoas úteis, empresários esperançosos receberão US$ 20 mil em dinheiro.
Mas alguns fundos com sede em Israel, vários dos quais criados com dinheiro do mercado na década de 1990, ainda enfrentam dificuldades para obter dinheiro e estão hesitantes sobre o desenvolvimento daquilo que já têm. De acordo com a Venture Capital Research Centre Israel, os fundos israelenses agora representam apenas um quarto do valor arrecadado pelo país com empresas de alta tecnologia, em vez dos dois quintos de alguns anos atrás. Não importa se a marca é israelense ou estrangeira, diz Adam Fisher, da Bessemer Venture Partners, um grupo internacional, o dinheiro vem sempre do exterior.
Fonte: The Economist
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