segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Material escolar com heróis está 402% mais caro
O levantamento é baseado na lista de preços divulgada pelo Procon/MS
Materiais com personagens da moda estão os 'olhos da cara'
O levantamento é baseado na última lista de preços de materiais escolares divulgada pela Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Procon-MS), que verificou preços em sete livrarias, e pesquisa feita pelo Correio do Estado. A maior diferença encontada foi no apontador. O simples, sem depósito, pode ser encontrado por apenas R$ 0,13, enquanto o com personagem infantil, só que com depósito (onde é feita a impressão do desenho), custa, em média R$ 2,80 – 2.053% mais.
Já em produtos nos mesmos padrões, como os cadernos, a diferença chega a 201,8%. O brochurão grande, 80/96 folhas, liso, custa em média R$ 2,22, já com os queridinhos das crianças a méda de preços é de R$ 6,70. A menor disparidade encontrada foi no capa dura, pequeno, de 48/50 folhas, que sai por R$ 1,31 a versão simples e R$ 1,92 com personagens.
Consumidores fisgados
Mesmo bem mais caros, lojistas afirmam que os consumidores têm sido fisgados pelo modismo e cedido aos pedidos pelos artigos com a estampa de desenhos animados. "Cerca de 90% do que comercializamos diariamente tem algum personagem da moda. Os pais parcelam, mas levam o que os filhos querem – dificilmente hoje vemos a cena da criança chorando na loja porque o pai negou algum produto, comum no passado", afirma o proprietário da Shop Tudo, Paulo Roberto Fernandes.
E os que não querem pagar muito mais caro acabam fazendo como Ana Claudia Pereira, que negocia com os filhos o que vai e não vai ser comprado com a cara do herói. "De quatro cadernos, peguei dois com personagem e dois sem. Agora estou negociando a mochila, tentando trocar a com rodinhas do Ben 10 que ele quer, que custa R$ 167 por uma do mesmo personagem só que sem as rodinhas, um pouco mais barata, R$ 123", conta.
Apesar da maioria ceder aos pedidos dos filhos, há pais que, antes de saírem de casa para a compra do material escolar, já buscam conscientizar as crianças sobre as condições financeiras da família e da utilidade dos objetos. "Se tem uma tesoura do mesmo tamanho e qualidade, por exemplo, que custa três, quatro vezes menos que uma em que a única diferença é um desenho, elas já sabem que o certo é levar a mais barata", explica a auxiliar de enfermagem Vânia Lucia Peregrino Teixeira, que tem duas filhas, uma de 10 e outra de 13 anos.
Ela afirma que, por conta do diálogo promovido desde que as meninas entraram na escola, hoje elas não dão trabalho em relação ao assunto. Pelo contrário, às vezes até sugerem alguma economia. "Elas dividem ou reaproveitam materiais. Um estojo que uma usou do ano anterior e serve para a outra agora é repassado".
Mas mesmo com esse cuidado, os pais ainda podem cair em outra armadilha de despesa, só que dessa vez ilegal: a das listas abusivas. Há escola, acredite, que chega a pedir papel higiênico, detergente, copos descartáveis e até absorvente, segundo o Procon-MS.
Nestes casos, a entidade alerta que é proibida a exigência de qualquer coisa que não seja de uso pedagógico e, caso o pai ou mãe tenha receio de reclamar – muito comum, pelo medo de que o filho sofra alguma represália depois – as denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 151. Uma vez feita a reclamação, o Procon vai até a escola fiscalizar, exigir a mudança de comportamento e até punir o estabelecimento com multa. (AM)
Serviço:
O endereço do Procon/MS é Rua Treze de Junho, 930- Centro, Campo Grande/MS. O disque denúncia do órgão é 151.
Fonte: Correio do Estado/MS
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