sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Hepatite B se alastra perigosamente,mas no Brasil vacina está disponível
Imunização é direito de recém-nascidos e de quem tem até 29 anos; outros casos específicos, como pacientes com insuficiência renal, têm sinal verde
A Organização Mundial da Saúde estima que no mundo vivem 400 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B. No Brasil, seriam aproximadamente 2 milhões desses pacientes. A doença é uma inflamação do fígado que pode ser causada por vírus, medicamentos e consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Trata-se de uma enfermidade que pode se tornar letal, pois algumas pessoas desenvolvem o tipo crônico da doença.
“Não existe sazonalidade para a transmissão da hepatite B. A doença é causada por um vírus, que pode ser transmitido através de relação sexual, pelo uso de drogas injetáveis, pela transfusão de hemoderivados (albumina, imunoglobulinas e fatores da coagulação), por transmissão vertical (da mãe para o filho durante a gravidez e o parto), via hemodiálise, por exposição percutânea ou mucosas com fluídos corpóreos contaminados (forma mais comum de transmissão em profissionais da saúde)”, explica o médico infectologista Adilson Westheimer Cavalcante.
A forma aguda da infecção se caracteriza por febre, mal estar, urina de cor escura (colúria), fezes de cor clara (acolia fecal), icterícia (o paciente fica amarelo), hepatomegalia (fígado aumenta de volume), esplenomegalia (baço aumenta de volume) e queda do estado geral do organismo.
O infectologista Cavalcante comenta que, apesar da gravidade da doença, a maioria das pessoas que tem a infecção aguda vai se curar espontaneamente, isso é, sem nenhum tratamento específico. Trinta por cento das pessoas, entretanto, vão permanecer com o vírus da hepatite B e evoluir para a forma crônica da doença. Com o passar dos anos, o paciente com hepatite B crônica pode desenvolver cirrose ou câncer de fígado (hepatocarcinoma).
Prevenção e Tratamento
“A forma mais segura de prevenção é a vacina contra a hepatite B. Todas as pessoas que nunca tiveram contato com o vírus deveriam receber a vacina. No Brasil, é indicada nas seguintes situações: todos os recém-nascidos (devem receber a primeira dose nas primeiras horas de vida) e qualquer pessoa até os 29 anos de idade”, explica o médico entrevistado pelo BM.
A vacina da hepatite B deve ser administrada em três doses (inicial, trinta a sessenta dias e seis meses), via intramuscular (injeção de uma substância diretamente dentro de um músculo, para que fique armazenada profundamente). “Outras formas de prevenção contra a hepatite B são: praticar sexo seguro e evitar compartilhamento de seringas entre os usuários de drogas ilícitas”, recomenda o infectologista.
Após a idade limite (29 anos), há casos específicos que permitem receber a vacina para imunização. Profissionais da área da Saúde, bombeiros, profissionais do sexo, pessoas que têm alto risco de exposição ao vírus da hepatite B em laboratórios ou outros locais, pacientes com insuficiência renal crônica em programas de diálise, doadores de sangue ou por outra indicação médica.
“Na doença aguda, o tratamento é feito apenas com medicamentos sintomáticos, ou seja, não existe nenhum tratamento específico. Para pacientes com a hepatite B crônica, existe tratamento específico com medicamentos de alto custo. Quando o paciente já descobre a doença em uma fase avançada, como a cirrose ou o hepatocarcinoma, uma opção de tratamento poderá ser o transplante de fígado”, diz Cavalcante. Entretanto, como muitos de nós sabemos, a espera nas filas para transplante de órgãos no Brasil e no mundo faz com que muitos pacientes morram antes de terem a oportunidade que pode lhes salvar a vida.
Informações: Dr. Adilson Cavalcante
Dr. Adilson Westheimer Cavalcante é médico infectologista e trabalha na SCIH - Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Heliópolis/Hospital Anchieta da Faculdade de Medicina do ABC, além ministrar a disciplina de Infectologia na faculdade.
Dica
A Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde indica a Biblioteca Virtual em Sáude Brasil para quem deseja obter mais informações sobre a hepatite ou outras doenças. Para ter acesso a diversas pesquisas, inclusive em idiomas diferentes, basta acessar: http://brasil.bvs.br/php/index.php.
Fonte: Boletim Monitorando
Assinar:
Postar comentários (Atom)




0 comentários:
Postar um comentário