quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Giglio começa a sofrer com poluição causada por naufrágio de navio

A ilha italiana de Giglio começou a ser poluída por resíduos dos destroços do cruzeiro Costa Concórdia, naufragado no dia 13 de janeiro, e cuja retirada constitui "uma tarefa monumental", de acordo com a companhia proprietária. O instituto de proteção ambiental da Toscana relevou que já existe uma concentração de 2 a 3 mg/l de surfactante (uma substância presente em detergentes) na água do mar. Normalmente esta presença é nula. Este paraíso marinho está agora com um nível de surfactantes parecido ao de portos industriais, como Marghera, perto de Veneza. "A situação ainda é controlável, mas perigosa para uma área que vive do turismo e da pesca", explicou à AFP Gaetano Benedetto, porta-voz da organização Fundo Mundial para a Natureza (WWF) da Itália.
Pier Paolo Cito - 25.jan.12/Associated Press/Navio Costa Concordia visto da ilha de Giglio; arquipélago começa a sofrer com poluição causada por resíduos Segundo ele, trata-se de uma "poluição concentrada e pontual". "Não podemos nos alarmar, mas precisamos prestar atenção", disse. O que preocupa é o destino dos poluentes que envenenam: "fluido da bateria, retardadores de chama altamente poluentes, solventes, óleos..." "Não dispomos de nenhuma avaliação precisa", lamentou e questionou: "qual é o tempo necessário para retirar o navio naufragado?". RESÍDUOS O investigador responsável pelo caso, Franco Gabrielli, lembrou na quarta-feira que, apesar de seu processo, a companhia proprietária do navio ainda não apresentou um plano de recuperação de resíduos. Contudo, o chefe executivo da Costa Cruzeiros, Per Luigi Foschi, caracterizou de "tarefa monumental a retirada do navio naufragado e um trabalho de grande complexidade". Declarações pouco otimistas. Além disso, o bombeamento de combustível dos reservatórios ainda não começou. "Se vazar para o mar estas 2.380 toneladas de combustível denso e viscoso poderá causar um impacto não apenas em Giglio, mas em todo o arquipélago da Toscana (onde estão 7 ilhas) e em toda a região costeira", alerta Angelo Gentili, da Legambiente, uma das principais associações italianas de defesa do meio ambiente. "Os melhores especialistas mundiais estão aqui, mas existe a possibilidade de uma piora nas condições meteorológicas e de incidentes que podem impedir a recuperação total do combustível durante o bombeamento, que deve começar no sábado", afirmou. Benedetto, contudo, afirma que neste domínio, "a técnica utilizada já foi experimentada: medidas de segurança foram testadas, o bombeamento pode ser interrompido caso o tempo piore... Portanto, este é um método de gestão comprovado". Este processo terá um tempo limitado, deve durar apenas de "20 a 30 dias", por causa dos vários perigos, acrescentou. "A ilha de Giglio possui um ecossistema marinho e terrestre único", observou. "Na fase atual, não há um risco para a saúde, mas para o turismo: em caso de vazamento no mar, haverá um forte impacto negativo." Pier Paolo Cito - 25.jan.12/Associated Press Técnicos fazem testes para retirada das mais de 2.000 toneladas de comubustível do navio Costa Concordia
Fontes: Folha de S. Paulo/France Prese, da Ilha de Giglio, Italia

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