segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Croácia vota pela entrada na União Europeia
País pode passar a fazer parte do bloco europeu em julho de 2013, mas adoção do euro não acontecerá antes de 2015
A população da Croácia foi ás urnas no último domingo, 23, e votou a favor da inclusão do país na União Europeia, mostrando que o bloco mantém seus atrativos, apesar da crise que cerca o euro e muitos dos países que adotaram a moeda. De acordo com a comissão do referendo, cerca de 66% da população apoiou o ingresso da Croácia no bloco europeu.
Se no passado o ingresso na União Europeia era visto como um caminho seguro para a prosperidade, recentemente a participação no bloco ficou marcada pela luta da UE para lutar contra os efeitos da crise. Ainda assim, praticamente todos os políticos e membros do Parlamento croata apoiaram a opção pelo “sim” no referendo.
Se a Croácia for admitida na União Europeia, o que está previsto pra acontecer no dia 1º de julho de 2013, ela será obrigada a adotar o euro também, embora isso não aconteça imediatamente. A adoção do euro não aconteceria até que a Croácia cumprisse os pré-requisitos econômicos exigidos. O primeiro-ministro do país, Zoran Milanovic, afirma que isso não acontecerá antes de 2015 ou 2016.
Por seu legado de políticas nacionalistas, a Croácia ficou de fora das duas expansões da UEE, em 2004 e 2007. Entre as repúblicas da ex-Iugoslávia, apenas a Eslovênia foi admitida, em 2004.
A União Europeia não concordou em discutir o ingresso da Croácia até que o serviço de inteligência ajudasse a rastrear Ante Gotovina, um ex-general das guerras dos Bálcãs, que acabou sendo preso na Espanha, e condenado por crimes de guerra pelo Tribunal de Haia.
“Esse é um grande dia para a Croácia, e 2013 será um divisor de águas na nossa história”, declarou o presidente, Ivo Josipovic, após a votação.
Numa declaração conjunta, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, consideraram o resultado “boas notícias para a Croácia, para a região, e para a Europa”.
Opositores do ingresso na UEE afirmaram que o país abriria mão de sua recém-conquistada independência, e que os negócios e fazendas da Croácia serão vendidos a preços baixos e ficarão incapazes de competir quando as barreiras estrangeiras forem removidas.
Durante sete anos de negociações com a União Europeia, a Croácia teve que se ajustar a critérios mais pesados que os pedidos a seus antecessores, especialmente no que diz respeito a seu sistema judicial, graças a preocupações com a corrupção, e outros problemas que surgiram depois que a Romênia e a Bulgária se juntaram à UEE em 2007. O ex-primeiro-ministro da Croácia, Ivo Sanader, está sendo julgado no momento, e é acusado de corrupção.
O tratado de ingresso da Croácia deve ser ratificado pelos parlamentos dos 27 membros da EU. Uma vez que isso acontecer, a Croácia pode ser a última nova nação a se juntar ao bloco por muitos anos. A Islândia e a Turquia são candidatos a ingressar, mas os diálogos com os turcos estão estagnados, e o apoio publico ao ingresso da Islândia está longe de ser uma garantia.
Fonte: The New York Times
Fonte: The New York Times
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