sábado, 31 de dezembro de 2011

2011: um ano conturbado

Convidados apontam o que para eles foi o fato mais importante do ano.

O ano de 2011 já começou dando indícios de que dias conturbados viriam pela frente. No Brasil, deslizamentos e enchentes na Região Serrana do Rio deixaram mais de 900 mortos e comoveram o país. Numa distante Tunísia, tinha início o movimento que ficou conhecido como Primavera Árabe. Em meados de janeiro, o presidente Ben Ali deixava o poder após contínuos protestos contra o seu regime. Menos de um mês depois, foi a vez de Hosni Mubarack ser obrigado a renunciar após 30 anos no comando do Egito. Em março, a natureza mostrava, mais uma vez, seu poder de destruição: um terremoto seguido de uma tsunami devastou o Japão.

Enquanto os japoneses trabalhavam na reconstrução do país, uma nova tragédia voltou a chocar o Brasil: um atirador invadiu uma escola em Realengo, no Rio, e matou 12 crianças. O meio do ano ainda nem tinha chegado e 2011 continuava se mostrando um ano agitado. Em maio, pouco antes do marco de dez anos dos atentados de 11 de setembro, o terrorista Osama bin Laden foi encontrado e morto por soldados norte-americanos. O mundo veria, ainda, a captura e morte de Muammar Kadafi, o líder da Líbia que foi deposto por revoltas populares em mais um dos episódios da Primavera Árabe. O povo também iria para as ruas para protestar contra a influência empresarial na sociedade: em meio à crise global, surge em Nova Iorque o movimento “Ocupem Wall Street”. Em dezembro, quando a calmaria parecia chegar com a retirada das tropas americanas e o fim da Guerra do Iraque, a morte do ditador norte-coreano, Kim Jong-il, colocou o mundo novamente em alerta.

Para fazer uma análise retrospectiva deste ano que chega ao fim, o Opinião e Notícia convidou oito pessoas de diversas áreas para que elas apontassem o que foi o fato mais importante de 2011. Confira as respostas:

- Carley Martins, professor do Departamento de Física Nuclear e Altas Energias da Universidade do Estado do Rio Janeiro (Uerj): “Dois acontecimentos na área da física marcaram o ano de 2011: o acidente com a central nuclear de Fukushima, com graves consequências para a população do Japão, e o recente anúncio pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) sobre a “quase” (quase porque a estatística é ainda pequena) descoberta do Bóson de Higggs, a partícula mais procurada dos últimos anos. Essa partícula é a base do modelo padrão das interações fundamentais da natureza, proposto na década de 60. Diversas partículas propostas pelo modelo foram descobertas, mas ainda falta esse bóson”.

- Dudu Nobre, cantor: “No Brasil, marcou o primeiro ano do governo de uma mulher no poder. Foi meio barro, meio tijolo, com muitas demissões de ministros, mas acredito que, no ano que vem, Dilma terá mais tranquilidade para governar. No exterior, a revolta no mundo árabe foi um dos principais fatos do ano”.

- Geraldo Tadeu, cientista político e diretor do Iuperj: “Em termos de consequências dos fatos, eu escolho a retirada dos EUA do Iraque, que se completou agora em dezembro e põe fim ao pacto americano depois de nove anos de guerra, milhares de mortos e um custo de bilhões de dólares. O término da guerra é uma grande vitória do Obama a despeito dos inúmeros interesses políticos e econômicos. A implantação de um modelo de regime político democrático no Iraque pode e deve servir de modelo a ser seguido na região. A expectativa agora é quanto à capacidade do governo iraquiano de se manter no poder”.

- Isabela Capeto, estilista: “A crise da dívida na Europa, que gera reflexos em várias outras partes do mundo, inclusive no Brasil”.

- Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ): “Não tenho muito para falar da política conduzida pela Dilma. Quanto ao meu trabalho, evitei que fosse distribuído nas escolas o material que vinha disfarçado de ensino de tolerância à diversidade, mas que, na verdade, estimulava o homossexualismo. Ano que vem é uma nova briga com relação a essa e outras questões ligadas à preservação da família. Vamos continuar lutando para preservar a garotada desse lixo de ensino”.

- Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio (Psol) e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj: “O que mais me entusiasmou foi o movimento dos indignados, de ocupações das praças públicas: desde a Primavera Árabe, passando pelos protestos na Porta do Sol em Madri, e pelas manifestações no Brasil. Esse é um marco de uma população que deseja uma outra forma de representatividade política, que deseja participar da vida pública. E o curioso é que isso aconteceu de forma espontânea em várias partes do mundo”.

- Sérgio Besserman, economista e presidente da Câmara de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro: “A continuidade da grande crise econômica de 2008 em um contexto de convergência global muito deficiente. Esse quadro continuará, e a Rio+20 vai evidenciar a falta de governança global nesse sentido e a falta de sustentabilidade”.

- Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncia: “O que mais chamou atenção na minha maneira de ver as coisas foi a questão do combate à corrupção e a queda dos ministros. Isso foi muito forte em termos de Brasil. Além disso, o processo de pacificação do Rio, que vem se consolidando, e vai chegar ao país inteiro”.

Fonte: Opinião e Notícia/Fernanda Dias

Porco com duas línguas e seis patas nasce em fazenda de Maracaju

fotoUm porco nasceu com duas línguas ou uma cabeça dentro da outra e mais um quarto traseiro somando seis patas. Este fato bizarro ocorreu na Fazenda Refúgio no município de Maracaju.

O animal nasceu no dia 28 por volta das 16h em criadouro de porcos na fazenda que fica a cerca de 50 quilômetros de Maracaju. O animal tem duas línguas e vários dentes, além do quarto traseiro somando seis patas. O nascimento do animal assustou o proprietário da propriedade, Júnior Feitosa.

O recém-nascido apresentava dificuldades para levantar-se, o corpo não sustentava o peso da cabeça, ele não conseguia mamar e morreu logo.

O dono da propriedade, disse que é a primeira vez que isso aconteceu com um de seus bichos. Júnior mencionou que a porca teve cerca de oito filhotes e que os demais animais não apresentaram nenhum tipo de anomalia.

Fonte: Correio do Estado/Maracaju Speed

Televisão à altura do preço e da inteligência do público

É ótimo saber que a TV por assinatura está disponível para mais brasileiros a cada dia. Segundo dados da Anatel, atualmente mais de 42 milhões de pessoas têm acesso ao serviço, que, até novembro de 2011, registrou crescimento de 30,54% na base de assinantes em relação ao mesmo período no ano anterior. O cenário, que já era bom com a ascensão da classe C no país e com o advento das UPPs — e o consequente fim da “GatoNet” — tende a ficar ainda melhor com a proximidade da Copa e das Olimpíadas, devido às exigências feitas por órgãos internacionais aos países que sediam tais eventos. A pergunta agora é: que retorno será dado ao público em termos de qualidade?

Algumas redes, como a Telecine, já começaram a se mexer e passaram a oferecer filmes com tripla opção para o espectador: dublados, com som original e com som original e legendas. Para melhorar, falta pôr todos os canais também com a imagem em HD (high definition) e parar com a mania de interromper o final das atrações com anúncios das próximas — perdem-se os créditos, a música, o clima e, muitas vezes, até cenas extras, hoje comuns depois do “the end” tradicional.

Rápidos no gatilho

A ânsia de entupir o público com informação — geralmente acerca da própria programação do canal — acaba afugentando o espectador. Os mesmos dedos nervosos que vivem teclando — passando mensagens de texto, “tuitando” etc. — são rápidos no controle remoto e imediatamente vão buscar coisa mais interessante em outro lugar. Do contrário, para que serve ter mais do que meia dúzia de emissoras à disposição? A mesma ânsia leva a outros vícios irritantes, em especial longuíssimos intervalos — convite certo a uma boa zapeada — e chamadas inconvenientes que tapam rostos de atores e/ou cenas cruciais, matando a piada, ou o suspense, ou o terror do momento.

Enquanto uns pecam por excesso, outros pecam por omissão. Com frequência, encontram-se programas sem qualquer descrição que dê uma pista do que vêm a ser e séries sem menção a temporada ou número dos episódios — às vezes exibidos fora de ordem e sem a esperada conclusão.

Espectador desprestigiado

Por pão-durismo ou puro desinteresse, há canais que preferem chamar o público de preguiçoso e ainda dizer, na maior cara de pau, que estão lhe dando um presente, dublando tudo para ele descansar do enorme esforço de ler (!) — até a rede HBOMAX, acredite, entrou nessa e criou sessões dubladas em que não há som original nem legendas disponíveis. Se alguém acha que o espectador é bobo de acreditar que, com isso, as emissoras estão prestigiando a classe C e mostrando que não privilegiam as “elites”, engana-se. Pense na máxima de Joãosinho Trinta e adapte-a à televisão. Pense também nos deficientes auditivos, para os quais sãos fundamentais.
Kyra Sedgwick em 'The Closer' (Reprodução/Internet)

Como diria Nelson Rodrigues, os exemplos pululam. Em poucos minutos, é possível achar no canal MAX um filme falado em francês (O cruzeiro) com o aviso de “sinopse não disponível”; Kyra Sedgwick, no Space, com ou sem o sotaque inconfundível de sua personagem em The closer, mas sem legendas para quem prefere ouvi-lo e não quer perder nenhum diálogo; um novo seriado do AXN,Combat hospital, assim mesmo, com o título em inglês, mas sem outra opção que não o português para quem se dispuser a assisti-lo. E isto é apenas uma amostra.

Votos para 2012

Se são grandes as expectativas para o mercado de TV paga no Brasil, as do público, idem. Para não perder o jogo de palavras, que tal poder assistir a Great expectations e outras produções que os britânicos estão preparando para celebrar o bicentenário de Charles Dickens?

Consta que a Globosat HD aumentou seu acervo de séries europeias, raras na nossa televisão por assinatura. O problema é que o canal é o atual campeão da desinformação e sofre de gravíssimo distúrbio de personalidade — ora age como um SporTV nostálgico, que passa jogos disputados há dias; ora fala como mulher e reprisa atrações do GNT; às vezes pensa que é o Multishow e fica musical. Ninguém sabe exatamente quando dará a sorte de encontrá-lo original, exibindo coisas interessantes como o seriado irlandês Single handed, o canadense Murdoch mysteries, ou o inglês Accused, que dizem ter adquirido. Experimente programar para gravar algum deles — é impossível acertar, mesmo consultando seu site, igualmente pouco informativo. Ou tente descobrir se está assistindo a um episódio da primeira ou da última temporada e, em caso de ele ter continuação, quando será possível ver o fim da história — é frustração garantida.

Tomara que, no ano novo que chega, a TV paga cresça e fature muito, mas que também invista na qualidade. Duas boas sugestões para os executivos das emissoras: deixar de engordar o caixa “cedendo” horários para programas de vendas — já não há canais específicos para este fim? — e ajudar a diminuir a taxa de desemprego no Brasil, contratando dubladores e legendadores (com ênfase na conjunção aditiva “e”), especialistas em gerenciamento de grade de programação e experts em otimização do tempo do telespectador. Se esta última profissão ainda não existe, está mais que na hora de ser inventada.

Fonte: Opinião e Notícia/Solange Noronha

Japão é lider em relacionamentos sem sexo

Estará uma nova geração de japoneses perdendo o interesse em sexo? E se sim, o que estará por trás disso?

Não é fácil ser jovem no Japão hoje em dia. A cada poucos meses se vê o lançamento de um novo conjunto de imagens, estatísticas e reportagens alardeando a mesma ideia: a de que os homens japoneses contemporâneos não são viris o suficiente – e pior, não parecem se importar com isso.

No estudo mais recente feito pelo governo, publicado no fim do mês passado, a porcentagem de homens solteiros subiu 9,2 pontos em relação a cinco anos atrás. E o que é mais revelador: 61% desses homens declararam não ter uma namorada, entre os quais 45% disseram que não podiam se importar menos em encontrar uma.

E então? Como qualquer um que já tenha assistido a vídeos pop japoneses ou coreanos, as imagens mais populares dos homens asiáticos, vistas de uma perspectiva ocidental, é muito mais efeminada do que as imagens de homens ocidentais. Asiáticos são retratados cobertos de maquiagem, penteados, estilizados e gostam de passos de dança coreografados.

E ainda assim o Japão foi reconstruído das cinzas da Segunda Guerra Mundial e transformado em uma grande potência econômica e tecnológica com uma rapidez sem precedentes, graças aos seus trabalhadores esforçados, em sua maioria homens, que construíram os trilhos do impressionante trem bala do país, por exemplo.

Então por que o repúdio e a indiferença generalizados dos japoneses no que se refere ao sexo? Existem muitas teorias. A mais provocativa para mim, um japonês-americano que vive em Tóquio há muitos anos, é a de que as mulheres japonesas se tornaram mais fortes social e economicamente ao mesmo tempo em que os homens japoneses se tornaram mais prostrados e absorvidos por mundos virtuais, saciados pela própria feitiçaria tecnológica que seus antepassados lhes impingiram, e muitas vezes preferindo-os à realidade. “Eu não gosto de mulheres de verdade,” desdenhou com arrogância um rapaz no 2Channel, o maior e mais ativo fórum online do mundo. “Elas são exigentes demais hoje em dia. Prefiro ter uma namorada virtual.”

Namoradas virtuais se transformaram em uma sensação no último verão, quando a fabricante de jogos japonesa Konami lançou a segunda geração de seu popular Love Plus, apropriadamente chamada de Love Plus +, para Nintendo DS. E sabiamente, a Konami conseguiu fazer com que uma monótona cidade de praia chamada Atami fosse a sede de um fim de semana especial com o tema Love Plus +.

Os jogadores foram convidados a levar suas namoradas virtuais, dentro de seus aparelhos de videogame, até a cidade de praia para viver um fim de semana de romance e êxtase. A promoção obteve um sucesso absurdo, e gerentes de resorts locais disseram que foi seu melhor fim de semana em décadas. Claramente, esses são jovens japoneses de uma geração que considera as demandas imperfeitas ou simplesmente inesperadas dos relacionamentos no mundo real menos atraentes do que a tentação da libido virtual.

A expressão “homens herbívoros” foi criada por uma jornalista japonesa em 2006. Em 2009, a falta de ambição dos homens japoneses, tanto sexualmente quanto em outras áreas, havia se tornado um tema recorrente na mídia. Com relatos recentes de japoneses que não conseguem satisfazer mulheres de verdade e que não pretendem se casar ou ter filhos, o fenômeno de distanciamento mútuo entre os gêneros se tornou um assunto popular. Pode ser o futuro, mas será que é realmente japonês?

“Talvez nós sejamos seres humanos mais avançados,” minha amiga japonesa disse enquanto jantávamos juntos em Tóquio (ela pediu que eu não usasse seu nome real). Ela é a atraente editora de 40 e poucos anos de uma das principais revistas de moda do Japão, e ela ainda está solteira. “Talvez,” ela continuou, “nós já tenhamos aprendido a nos satisfazer sozinhos.”
 

Déli: sucessos urbanos do século XX?

O peso crescente de uma megacidade indiana é motivo para pompa e comemorações

Há cem anos o mundo veio a Déli. Em 12 de dezembro de 1911 imensas fileiras de elefantes carregando príncipes percorreram o caminho da velha cidade do império mogol até um pedaço de terra transformado em um gigantesco anfiteatro rodeado por cúpulas. Cerca de 100 mil visitantes chegaram lá após atravessarem quilômetros em novas estradas e uma linha ferroviária especial. A festança era para um rei britânico que estava de passagem pela Índia, George V, para celebrar sua recente coroação, uma demonstração de força feita para atestar a permanência do domínio imperial.

Poucos dos que estavam presentes naquele dia sob o sol fresco de inverno podiam imaginar que os ocupantes ingleses seriam expulsos dentro de quatro décadas. A festa deixou todos maravilhados. Os jornais britânicos a chamaram de “o maior show do planeta”.

Esta semana os habitantes de Déli comemoraram o centenário com pouco mais do que um encolher de ombros pós-colonial. “Não há muita badalação”, disse um ambulante, reparando na falta de agitação dos funcionários do governo. Ainda assim o evento também marcou a renascença de uma grande cidade, habitada por mais de dois milênios. O rei George declarou Déli como a capital da Índia novamente, como ela havia sido sob o domínio mongol, relegando Calcutá a um simples entreposto comercial. As largas avenidas e áreas verdes e os edifícios no novo estilo clássico de Sir Edwin Lutyen, com mais do que o ocasional floreio mongol: tudo isso fez muito bem à cidade. William Dalrymple, um historiador, a chama de “um dos maiores sucessos urbanos do século XX”.

Agora, com o rápido crescimento econômico, Déli está florescendo. O censo deste ano mostrou que sua população – antes inchada devido aos refugiados punjabis, e mais recentemente por um constante fluxo de migrantes de todas as partes da Índia – chega a 16,7 milhões, comparado a apenas 410 mil em 1911. Contando os subúrbios o número aumenta para 21 milhões.

Já uma das maiores áreas urbanas do planeta, e crescendo rápido, sua dominância nacional é, portanto, assegurada (embora também o sejam a terrível poluição do ar, a falta de água limpa e o alastramento dos vastos guetos). Os residentes de Déli são duas vezes mais ricos que a média dos indianos, ganhando cerca de 116.800 rúpias (2.170 dólares) por ano cada um. O status da cidade é comparável ao de um estado, como Washingtion, DC, nos Estados Unidos. Sua economia de $40 bilhões cresce 10,5% ao ano.
 

Editoras vs. bibliotecas: a guerra dos e-books

Principais editoras nos EUA agora bloqueiam o acesso de bibliotecas ao formato de e-book de todos os seus títulos.

O número de visitantes às sessões de e-books dos sites de bibliotecas públicas está prestes a atingir seu recorde neste fim de ano, e essa é uma fonte de grande preocupação para as editoras. Para elas, pegar um e-book emprestado de uma biblioteca tem sido fácil demais. Preocupadas que as pessoas começaram a pegar e-books emprestados de uma biblioteca com um clique ao invés de comprá-los com um clique, praticamente todas as principais editoras nos Estados Unidos agora bloqueiam o acesso de bibliotecas ao formato de e-book de todos os seus títulos ou de seus títulos publicados recentemente.

Pegar um livro impresso emprestado de uma biblioteca significa uma inconveniência para os seus fregueses.

“Você tem que andar ou dirigir até a biblioteca, e depois andar e dirigir de novo para devolver o livro,” diz Maja Thomas, vice-presidente sênior da editora Hachette responsável por sua divisão digital.

E cópias impressas não duram para sempre; eventualmente, os livros que são retirados com muita frequência vão ter que ser substituídos. “Vender uma cópia que pode ser emprestada um número infinito de vezes sem desgaste não é um modelo sustentável de negócios para nós,” diz Thomas. A Hachette parou de disponibilizar e-books para bibliotecas em 2009.

Desde março passado, a HaperCollins também parou de vender e-books para bibliotecas para uso ilimitado, o que tem feito desde 2001. Ao invés disso, começou a licenciar o uso de cada cópia de e-book para um máximo de 26 empréstimos. Isso afeta apenas os títulos mais populares e não tem efeito prático nos outros.

Depois de o limite ser atingido, a biblioteca pode voltar a comprar os direitos de acesso por um custo mais baixo do que o preço original.

A atitude foi motivada, a empresa disse em uma declaração, pela preocupação de que continuar a vender e-books nos velhos e ilimitados termos “acabaria levando a uma queda nas vendas de livros e nos direitos autorais pagos aos autores.”

Fonte: The New York Times /Randal Stross

Euro completa 10 anos

Momento econômico não é adequado para celebrações, diz Comissão Europeia

O euro celebra nesse 1º de janeiro de 2012, dez anos de circulação. A data coincide com o momento mais delicado de sua existência, cercado de dúvidas sobre seu futuro, que se agravaram nos últimos meses.

Em janeiro de 1999, quando o euro foi lançado como moeda virtual, o primeiro presidente do Banco Central Europeu (BCE), Wim Duisenberg, advertiu que a estabilidade da moeda dependeria da confiança que os cidadãos dessem a ela. O otimismo pela adoção do euro existiu somente durante os anos de bonança: houve uma primeira etapa de estabilidade que se prolongou até 2008 e outra, posterior, que evidenciou as deficiências do sistema.

A falta de confiança na zona do euro e na própria moeda foi o que, uma década depois da introdução física da moeda, pôs em dúvida sua viabilidade e ameaçou sua sobrevivência.

Em 2011, a situação econômica na Grécia e o risco de contágio a países como a Itália, Portugal e Espanha, revelou que, quando a União Europeia desenhou a moeda única, não foram levados em conta os desequilíbrios entre as economias nem criados os instrumentos necessários para atuar em tempos de crise. A própria Comissão Europeia assinalou dias atrás que o aniversário do euro não deve ser comemorado de maneira especial.

“Isso não quer dizer que não tenhamos orgulho de nossa moeda única. Acreditamos que continua sendo uma das maiores conquistas da história europeia”, disse o porta-voz comunitário Olivier Bailly. Os países da moeda única, por outro lado, acordaram com o Banco Central Europeu e com Bruxelas cunhar uma moeda comemorativa de dois euros. Nos próximos dias, 90 milhões de exemplares serão distribuídas.

A UE elaborou um vídeo oficial comemorativo do euro no qual o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, afirma que, apesar das dificuldades que assolam a Europa, os cidadãos podem estar certos que o BCE se manterá fiel a sua missão de garantir a estabilidade dos preços. Os inúmeros comentários jocosos e em tom cético acrescentados ao vídeo no YouTube revelam o sentimento de muitos cidadãos europeus, preocupados pelo futuro de sua moeda.

As dúvidas são alimentadas pelos augúrios sombrios de analistas, agências de medição de risco e personalidades europeias, como o primeiro presidente da Comissão, Jacques Delors, que chegou a afirmar que a zona do euro e sua moeda estão “à beira do precipício”.

Os países da zona do euro e o Executivo comunitário seguem insistindo, no entanto, em que a moeda única é estável e que a crise não é uma crise do euro.

Fonte: Estadao

Movimento LGBT pressionará para criminalizar homofobia em 2012

Principal bandeira do ano que vem foi definida em Conferência Nacional realizada em dezembro. Secretaria Nacional de Direitos Humanos apoia. 'É essencial para combate à violência', diz coordenador de direitos gays. Movimento rejeita relatório Marta Suplicy e quer resgate de texto de 2001 da Câmara que iguala homofobia a racismo.


BRASÍLIA - O Brasil é campeão mundial em assassinatos homofóbicos. A cada um dia e meio, um homossexual é morto no país, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, uma das mais tradicionais entidades que lutam pelos direitos da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBTs) no país. Em 2010, foram 260 homicídios. Até outubro deste ano, mais 208.

Espancamentos, xingamentos, agressões fortuitas, calúnias, buylling escolar. São muitos os crimes que comprovam o avanço da homofobia, patologia social que leva uma pessoa a discriminar outra por causa da orientação sexual.

De acordo com o coordenador-geral dos Direitos LGBT da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Gustavo Bernardes, entre dezembro de 2010 e novembro de 2011, a homofobia foi o motivo de 1.067 ligações para o Disque 100, o serviço governamental que centraliza relatos de violações aos direitos humanos.

Os telefonemas geraram mais de três mil denúncias, que já foram ou estão sendo apuradas pelos órgãos competentes. Entretanto, como, no Brasil, a prática não é crime, a impunidade costuma imperar. “A criminalização da homofobia é essencial para o combate à violência”, afirma Bernardes.

Segundo ele, justamente por isso, a luta pela criminalização da homofobia será a grande bandeira LGBT em 2012. Proposta que também foi vencedora durante a II Conferência Nacional LGBT, realizada em Brasília (DF) em dezembro.

“Ao contrário da conferência anterior, nesta os delegados decidiram apontar as diretrizes que os governos devem seguir para implantar as políticas públicas para a população LGBT e a luta pela criminalização da homofobia é uma dessas diretrizes principais”, diz Bernardes.

Polêmica no Senado
Os delegados da Conferência também aprovaram moção de apoio a um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados em 2001 que pune a homofobia da mesma forma que o racismo, tipificado como crime pela legislação brasileira.

Aprovado em 2006 pelos deputados, o projeto repousava há cinco anos no Senado, quando, no início de 2011, a vice-presidente da Casa, Marta Suplicy (PT-SP), decidiu desengavetá-lo. O relatório de Marta chegou a entrar na pauta de votação da Comissão de Direitos Humanos em dezembro, mas a pressão da bancada evangélica conseguiu barrar a votação.

Mas nem os gays ficaram satisfeitos com o relatório, que propunha mudanças no projeto da Câmara. “O movimento quer a recuperação da matéria original, que incluía a homofobia na mesma legislação que tipifica o racismo como crime. O substitutivo apresentado pela Marta Suplicy faz tantas concessões para tentar agradar aos evangélicos que cria outras violências”, afirma Bernardes.

De acordo com ele, outra importante diretriz aprovada na Conferência é a que prevê o combate à homofobia desde cedo e, a despeito da reação extremada de parte da sociedade, tornar-se um conteúdo ensinado nas escolas. “O buylling homofóbico é muito grave e provoca um alto índice de evasão escolar de homossexuais”, explica ele.

Para Bernardes, a escola não pode tolerar a violência contra homossexuais, e nem mesmo ignorá-la. Os professores têm que estar preparados para lidar com o problema e discuti-lo com os alunos. “A escola tem que ser um ambiente seguro para todos”.

O ministério da Educação apoia incluir nas grades escolares conteúdos e procedimentos que desestimulem o preconceito sexual nas escolas. A proposta, batizada pelos adversários de “kit gay”, causou polêmica em 2011 e custou inclusive uma baixaria do deputado-militar Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra a presidenta Dilma Rousseff.

O ano do grande naufrágio da Europa

O que vem pela frente são tempos obscuros, de medidas malvadas que já se fazem sentir. Conquistas sociais asseguradas durante décadas estão ruindo feito castelos de pó. Tecnocratas de coração de gelo e alma vendida assumiram a gestão de países como a Grécia e a Itália. Portugal tomou de vez o caminho do brejal e a economia britânica vive sua terceira recessão em dois anos. Talvez o retrato mais nítido desse processo de desmoronamento vivido pela Europa esteja na Espanha.

Uma das grandes marcas do ano que termina veloz, voraz e sombrio, é a de uma Europa que naufraga aos sabores do apetite incansável do mercado financeiro. A prepotência imperial de uma Alemanha implacável somou-se aos ares napoleônicos de um francês insosso e furtivo para pôr ordem na casa, ao preço que for.

O que vem pela frente são tempos obscuros, de medidas malvadas que já se fazem sentir. Conquistas sociais asseguradas durante décadas estão ruindo feito castelos de pó. Tecnocratas de coração de gelo e alma vendida assumiram a gestão de países como a Grécia e a Itália. Portugal tomou de vez o caminho do brejal, e se a city de Londres, coração da especulação financeira do mundo, vai de vento em popa, a economia britânica vive sua terceira recessão em dois anos. Aliás, entre as fanfarras que celebraram, nesta reta final de 2011, o fato de o Brasil ter se tornado a sexta economia do mundo, superando a Grã Bretanha, restou lembrar que isso se deve mais a deméritos britânicos que a méritos nossos.

Talvez o retrato mais nítido desse processo de desmoronamento vivido pela Europa esteja na Espanha. Lá, um senhorito catolicão e galego assumiu o poder, depois de uma vitória eleitoral tão insólita quanto previsível, e estreou escancarando a porta de conquistas sociais que o país já não pode pagar, porque se pagar, não paga os bancos.

Não deixa de ser simbólico que no dia 20 de novembro – quando se registrava o 36º aniversário da morte de outro galego chamado Francisco Franco, o ditador mesquinho e perverso que sufocou o país em atraso e brutalidade ao longo de mais de três décadas – tenha sido eleito Mariano Rajoy. Uma figura esquiva, que concentrou o poder num círculo tão fechado que nem mesmo se sabe quem dentro dele faz o quê, e não mostra o que pensa ou o rumo que dará a um país que se desmilingüe.

De saída, Rajoy anunciou que irá reformar as legislações que asseguravam direitos à mulher e às minorias. A questão do aborto, que ele tratou de maneira melíflua durante a campanha eleitoral, agora foi escancarada: a chamada ‘Ley de Salud Sexual y Reproductiva’, aprovada durante a gestão do socialista José Luis Rodríguez Zapatero, será profundamente reformulada. Deixará, assim, de ser uma das mais avançadas da Europa, e voltará a ser o que era há décadas, num retrocesso espetacular.

Outra lei, que assegurava aos homossexuais o matrimônio civil (com todos os direitos de adoção de filhos, de pensão e aposentadoria, de divisão de patrimônio), e que também colocou a Espanha na vanguarda européia, irá pelos ares.

O pêndulo da história oscilou para a direita, e com força. Reformas conquistadas ao longo dos anos deixam espaço para os ditames do catolicismo mais recalcitrante. Pesquisas de opinião pública realizadas periodicamente, e que reiteram a aprovação da maioria dos espanhóis, e principalmente das espanholas, a essas conquistas foram ignoradas. Venceram as forças mais obscuras do conservadorismo.

Mariano Rajoy também começou urgentes negociações com as grandes centrais sindicais, para reformar a legislação trabalhista. Considerada uma das mais protetoras da Europa, será ‘flexibilizada’. Os trabalhadores conhecem bem essa palavra. Portanto, nenhuma surpresa: salários congelados, investimentos públicos cortados. Pela primeira vez desde que foi criado, em 1980, o salário mínimo não será reajustado pela inflação. Embora sejam poucos os trabalhadores espanhóis que recebam o salário mínimo (cerca de 135 mil), ele serve como referência para fixar os ajustes de todas as categorias. Daí a perda que afetará a todos.

A política que está sendo discutida entre centrais sindicais, patronais e o novo governo não deixa espaço para otimismo algum. O estímulo que vem do ministério do Trabalho está dirigido à criação de vagas temporárias, ou de tempo parcial, e também à transformação dos atuais contratos de trabalho com prazo fixo para outros, de prazo indefinido, que permitiriam a demissão sumária a qualquer momento.

O novo premiê espanhol deu a seus ministros um prazo restrito – exatos cinco dias – para dizer onde cortariam, em seus respectivos orçamentos, 16 bilhões e 500 milhões de euros. É o que o Estado deixará de gastar em 2012.

De qualquer ângulo que se observe a Espanha, é evidente que haverá um acúmulo de medidas drásticas que imporão, em seu conjunto, um pesado, pesadíssimo, sacrifício para a população. Já se anunciou que 2012 será um ano de recessão, e que não serão criados novos postos de trabalho. Ao contrário: o desemprego, que é o mais alto da Europa e já afeta a cinco milhões de espanhóis, deverá aumentar ainda mais.

Nada, porém, supera o significado da escolha do novo homem forte do governo. Para ocupar o ministério da Economia, Mariano Rajoy escolheu um conhecido funcionário do sistema financeiro internacional, Luis de Guindos. Ao ser convidado, ele ouviu de Rajoy uma síntese de qual será sua missão: determinar a política econômica, concretizar a reforma do sistema financeiro, enfrentar os mercados, reconquistar a confiança dos investidores.

Em seu currículo, se destaca uma seqüência de empregos vistosos no mercado financeiro – que, claro, o recebeu com sorrisos luminosos e braços escancarados.

Um desses empregos chama a atenção: Luis de Guindos foi o presidente regional, para Espanha e Portugal, do banco Lehman Brothers. Sim, aquele mesmo que faliu ruidosamente nos Estados Unidos e contribuiu de maneira determinante para toda essa crise que vem sacudindo o mundo desde 2008.

Quer dizer: de causar desastres, ele deve entender. E entender muito.

Pobre Espanha.

Fonte: Carta  Maior/Eric Nepomuceno

Um mundo de torturadores: a crueldade dos Estados

Dos 194 Estados integrantes das Nações Unidas, cem deles praticam regularmente a tortura, seja como meio para obter informações ou confissões, seja como metodologia para fazer reinar o terror. Síria, Egito, Argélia, Chile, Argentina, Brasil, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, China, Vietnã, índia ou Rússia: não há continente que esteja livre dessa barbárie. Esta é a vergonhosa conclusão do informe “Um mundo de torturadores”, publicado na França pela ONG Ação dos Cristãos Contra a Tortura.

No século XXI segue sendo um mundo de torturadores. Dos 194 Estados integrantes das Nações Unidas, cem deles praticam regularmente a tortura, seja como meio para obter informações ou confissões, seja como metodologia para fazer reinar o terror. Síria, Egito, Argélia, Chile, Argentina, Brasil, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, China, Vietnã, índia ou Rússia: não há continente que esteja livre dessa barbárie. Esta é a vergonhosa conclusão do informe “Um mundo de torturadores”, publicado na França pela organização não-governamental Ação dos Cristãos Contra a Tortura (ACAT).

As vítimas das torturas têm uma identidade comum a todos os países: jornalistas, sindicalistas, opositores políticos, advogados, blogueiros, membros de minorias étnicas ou religiosas, defensores dos direitos humanos, membros de ONGs. O retrato apresentado pela ACAT mostra que, ao invés de recuar, a tortura vem se mantendo em níveis altíssimos, apesar da “reconversão” de muitas ditaduras à democracia liberal. Jean-Etienne de Linares, delegado geral da ong ACAT França, destaca que não restam muitas zonas do mundo em relação às quais seja possível ter ilusões: “queremos acreditar que o uso da tortura é uma prática reservada aos regimes autoritários. Mas estes não têm a exclusividade desses crimes e os principais países reconhecidos como democráticos estão longe de ficar isentos de críticas nessa matéria”.

O mais assombroso reside em que essa prática degradante e assassina nem sequer conta com uma definição coerente. O informe da ACAT recorda que embora “o direito internacional forneça indicações” sobre a tortura (Artigo 16 da Convenção contra a Tortura), “é impossível estabelecer uma distinção nítida entre o que é tortura e o que pode ser considerado como penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Seja como for, o informe da ONG oferece um catálogo universal da crueldade dos Estados.

A queda de regimes como o tunisiano, o egípcio e o do Iêmen, ou as revoltas na Jordânia e Síria permitiram lançar luz sobre as formas pelas quais esses governos torturavam e torturam seus povos. O mesmo ocorre com as grandes “democracias” como a Índia, o Paquistão, o Irã ou com países com alto desenvolvimento econômico como a China: opor-se a qualquer desses poderes, em qualquer escala, significa passar pelo patíbulo da tortura. Nem sequer as revoluções democráticas se salvam desse horror. Um exemplo patético é o da Costa do Marfim, onde os dois lados, o do ditador Laurent Gbagbo e o do suposto democrata Alassame Ouattara, recorreram com igual intensidade à tortura e às execuções primárias.

No que diz respeito à América Latina, o capítulo consagrado ao Chile é um dos mais comprometedores devido ao caráter político da tortura. A investigação da ACAT observa que a mobilização social iniciada em maio de 2011 pela mão dos estudantes se chocou com uma “repressão particularmente violenta por parte das forças da ordem”. O informe assinala que, no Chile, “o fenômeno da tortura perdura contra os militantes dos movimentos de contestação e contra certos povos indígenas como os Mapuches e os Rapa Nuis”.

O Brasil também merece uma péssima menção. Apesar de o país ter adotado os principais instrumentos para prevenir a tortura, esta segue sendo “uma prática rotineira no interior das Forças de Segurança”. O texto da ACAT assegura que “as principais vítimas da tortura no Brasil são os camponeses e os membros das comunidades indígenas que reivindicam o direito á terra, os defensores dos direitos humanos e os jornalistas”. O informe diz que “a tortura segue sendo empregada com total impunidade”, tanto mais na medida em que “o sistema federal não facilita a harmonização das legislações nessa matéria”.

A ACAT destaca o fato de que os mecanismos nacionais necessários para que se aplique a Convenção contra a Tortura “ainda não foram instalados”. Segundo a ONG, os principais atores da tortura são as três polícias de Estado: “polícia civil, polícia federal e polícia militar”. O trabalho da ONG é particularmente crítico com as condições de prisão e detenção nas prisões brasileiras (muito especialmente no Estado do Espírito Santo), qualificadas como “tratamentos cruéis, desumanos e degradantes”.

Peru, Colômbia e Venezuela formam um trio onde a tortura é regularmente utilizada. No Peru, camponeses, indígenas e líderes sociais são objeto de frequentes torturas. Na Colômbia, a “tortura é uma prática generalizada” enquanto que, na Venezuela, “a tortura é de uso corrente no interior dos serviços de segurança do Estado”. Honduras, Cuba e México integram outro trio denunciado pela ACAT. Segundo o informe, a derrubada do presidente Manuel Zelaya deu lugar a “um recrudescimento repentino e massivo da tortura”. Em relação a Cuba, a ACAT sustenta que, apesar das afirmações de Fidel Castro e Raúl Castro, “os maus tratos e as humilhações fazem parte dos métodos de repressão utilizados sistematicamente pelo regime cubano”. Quanto ao México, o informe diz que as primeiras vítimas da tortura são “as pessoas críticas ao governo e aqueles que denunciam os abusos da classe política”.

A Argentina não foi examinada no informe. Mas em uma nota interna, a ACAT aponta a persistência desse ato de barbárie nas mãos da polícia. A ONG escreve que embora “a democracia tenha provocado a interrupção quase total das ações contra os membros da oposição, isso não impediu que a polícia siga recorrendo de forma frequentemente rotineira à tortura como técnica de interrogatório contra os prisioneiros de direito comum”.

Após um percurso horripilante através da geografia mundial da tortura, o informe chega às margens das quatro grandes democracias: Estados Unidos, Espanha, França e Inglaterra. Sobre os EUA, a investigação da ONG recorda as violações dos direitos humanos cometidas fora das fronteiras do país em nome da guerra contra o terrorismo. No entanto, ressalta o mesmo informe, isso “não deve ocultar a situação extremamente preocupante que reina dentro do território norteamericano”. A Espanha figura no quadro pelas condições de prisão, violência contra imigrantes, expulsões com maus tratos e abusos policiais.

A França tampouco escapa: tratamentos indignos e degradantes e inclusive torturas, assim como práticas de uma violência cega contra os imigrantes ilegais foram denunciados numerosas vezes. Quanto a Inglaterra, os casos de tortura se localizam fora do território e se inscrevem no marco da já incongruente luta contra o terror. A queda do muro de Berlim e a desaparição progressiva das ditaduras da América Latina não parecem ter transmitido os ensinamentos sobre os limites do horror. A tortura sede sendo um instrumento do poder e de poder. Os carrascos conservam sempre um grau de impunidade absoluto.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior/.Eduardo Febbro

Para corregedor do TJ-SP, CNJ deve recuperar entusiasmo dos juízes

José Renato Nalini diz que magistratura 'já perdeu a luta contra criação' do órgão

Nalini: 'Magistratura já perdeu luta contra criação do CNJ' - Alex Silva/AE - 30.12.2011Em meio ao conflito generalizado que assola a cúpula do Judiciário e opõe grande contingente de juízes ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o desembargador José Renato Nalini declara: "O CNJ está criado, está na hierarquia do Judiciário. A magistratura, a maior parte dela, perdeu essa luta na constituinte tentando impedir sua criação".

Nalini não é apenas mais um desembargador. Ele é também o novo corregedor-geral do Tribunal de Justiça de São Paulo, maior e mais importante corte do País, e a que mais resiste às investidas do conselho que a emenda 45 (reforma do Judiciário) criou para fiscalizar toda a malha forense.
Na próxima segunda-feira, Nalini, de 66 anos, toma posse no tribunal que aloja 360 desembargadores e 2 mil juízes de primeira instância.

Mais que um verdugo, ele planeja ser orientador de seus pares. Mas avisa que "é inimigo" da pena de disponibilidade, privilégio histórico que a Lei Orgânica da Magistratura e a Constituição conferem à classe – a sanção prevê que juízes torpes fiquem alijados do trabalho, mas com a remuneração rigorosamente em dia.

Não vê em Eliana Calmon, a corregedora nacional, uma desafeta da toga. "Todas as vezes em que Eliana se referiu em público, em discursos e até por escrito, só teceu elogios à Corregedoria-Geral da Justiça."

Qual é a sua meta como corregedor do maior tribunal do País?

É a função mais relevante do Judiciário porque é por onde passam os anseios, as reclamações, as denúncias, as sugestões. A corregedoria tem que ser órgão de orientação, de amparo, de apoio ao juiz. 99% da magistratura trabalha muito. Minha tônica será tentar oferecer condições para que o serviço seja mais exitoso.

Fonte: O Estado de São Paulo/Fausto Macedo

Governo de São Paulo eleva imposto de produtos eletroeletrônicos

Aumento será feito de maneira indireta, com mudança da base de cálculo; empresários questionam a medida e dizem que preços podem subir

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo vai na contramão do governo federal e elevará os impostos estaduais de eletrodomésticos e eletrônicos em 2012. O aumento de tributos será feito de forma indireta. O governo aprovou no último dia 27 uma nova tabela do IVA (Índice de Valor Agregado), que serve de base para o cálculo do ICMS no regime de substituição tributária. Para a maioria dos produtos, os novos valores entram em vigor amanhã.

Dos 90 itens contemplados pela mudança, 76 deles terão elevação do imposto estadual. Entre eles estão fogão, geladeira, celulares, micro-ondas, TV de tubo e plasma. Alguns componentes terão redução de imposto - 14 no total, entre eles, câmeras digitais e TVs de LCD. Em média, os valores do IVA subiram 20%. O impacto desse reajuste no aumento efetivo de impostos depende da alíquota do ICMS de cada produto.

No caso da linha branca, a nova tabela terá outro cronograma. Para os produtos beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedida em dezembro pelo governo federal, a mudança vale a partir de 1º de abril.

No sistema de substituição tributária, a indústria paga o tributo do varejo antecipadamente. Para calcular o imposto devido por toda a cadeia, das fábricas às lojas, o governo estabelece uma margem de valor, o IVA, com uma estimativa do preço final do produto ao consumidor. É sobre esse valor que incide a alíquota do ICMS. Então, quanto maior o IVA, maior será o imposto cobrado (veja tabela ao lado). "É um aumento indireto de impostos. O governo eleva a arrecadação sem mexer na alíquota do ICMS", explica o advogado tributarista Eduardo Diamantino.

Um fabricante de celular, por exemplo, pagará cerca de 6% mais de ICMS no Estado, segundo estimativas do escritório Diamantino Advogados. Com todos os impostos, um aparelho que sai da indústria por R$ 800 neste ano, custaria R$ 998 após o pagamento de impostos, mas custará R$ 1.110 com a nova tabela.
Reação. A decisão desagradou o empresariado. "Pode haver aumento de preços ao consumidor", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato. Segundo ele, o repasse dependerá do aquecimento da economia. Para Barbato, o aumento de impostos é "inoportuno". O momento, a seu ver, é de estimular a economia e não atribuir um ônus maior às empresas.
Capital de giro. O primeiro impacto da mudança no IVA será a necessidade de a indústria e o comércio captarem mais capital de giro para pagar um valor maior de ICMS. "Essa medida é prejudicial à indústria", conclui Barbato. Segundo ele, a Abinee vai avaliar as alterações no início do ano e pode recorrer.

Para José Maria Chapina, presidente do conselho de assuntos tributários da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio SP), a mudança na tabela do IVA não se sustenta. "Não tem sentido cobrar o imposto sobre um IVA tão elevado", argumenta Chapina. Ele afirma que a decisão visa apenas um aumento da arrecadação do governo paulista.

A Fecomércio já questiona na Justiça o sistema de substituição tributária. Agora, a entidade vai voltar a carga contra a medida. Chapina diz que a nova tabela é "uma violência tributária", pois ela financia o Estado.

"Se antes já era um confisco antecipado de imposto, agora ficou ainda pior com o aumento da carga."
Insegurança tributária. Mas o principal problema de mudanças nos parâmetros da substituição tributária, como a que entrará em vigor amanhã, é que elas geram insegurança entre os empresários, afirmou o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Júlio Gomes de Almeida.

"Muitos empresários têm me dito que, nos planos de investimentos que eles fazem, já passaram a levar em conta a insegurança tributária em São Paulo."

Para ele, São Paulo já está em desvantagem na guerra fiscal entre Estados para atrair investimentos. Com a mudança na tabela, disse, São Paulo aumentou a insegurança tributária e deu mais fôlego para outros Estados.

Fonte: O Estado de São Paulo/Marina Gazzoni e Marcelo Rehder

Três são mortos em bar na 12ª chacina do ano na Região Metropolitana de SP

Acredita-se em crime de acerto de contas; comerciante tinha passagem por tráfico

SÃO PAULO - O dono de um bar, o filho dele e um cliente foram mortos a tiros, no final da noite de sexta-feira, 30, dentro do estabelecimento comercial, localizado na altura do nº 47 da Rua Lua, dentro de uma favela, no bairro da Fazendinha, em Santana de Parnaíba, região oeste da Grande São Paulo. Essa é a 12ª chacina registrada na Região Metropolitana de São Paulo em 2011.

Armados supostamente de revólveres, pois nenhuma cápsula de projétil foi encontrada pela polícia no local do crime, quatro homens, de rosto à mostra, pararam um veículo escuro, possivelmente um Fiat Pálio Weekend, em frente ao bar, entraram e ordenaram que a esposa do comerciante, Maria Leda da Silva, se retirasse e fosse para os fundos, onde a família mora. Segundos depois começaram os tiros.

Foram mortos José Roberto Batista, de 52 anos, o comerciante, José Ronaldo Batista, 32, o filho dele, e um cliente, identificado como José Edmilson Alves, de 37 anos. Policiais militares da 2ª Companhia do 20º Batalhão foram acionados, mas não chegaram a tempo de socorrer as vítimas, que morreram no local. A polícia acredita em crime de acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas. O comerciante, segundo a Polícia Civil, já tinha passagens por tráfico de entorpecentes e porte ilegal de arma.

Com mais essa chacina, sobe para 41 o número de mortos em crimes do tipo neste ano. Foram três chacinas na capital, nos bairros Jardim Miriam, Parque Santo Antonio e Campo Limpo, todos na zona sul; e nove casos na Grande São Paulo, em Diadema, Santo André, Mauá, Itaquaquecetuba, Embu das Artes, Cotia, Santana de Parnaíba e Guarulhos (2 casos). Em 2010, ocorreram 13 chacinas, com 50 mortes; em 2009, foram 19 casos, com 61 vítimas; em 2008 ocorreram 21 chacinas, com 71 mortos, e em 2007, 22 casos, com um total de 89 mortes.

Fonte: O Estado de São Paulo/Ricardo Valota

Padre é preso no DF acusado de estuprar 6 crianças

No momento da prisão, religioso estava na cama com a secretária de uma igreja; no local, polícia também encontrou uma arma

No momento da prisão, padre estava na cama com uma mulher nua - secretaria da igreja onde trabalha - Beto Barata/AEBRASÍLIA - A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu na última sexta-feira o padre Evangelista Moisés Figueiredo, acusado de estupro e atentado violento ao pudor contra seis crianças, sendo cinco irmãos. O padre trabalha há dez anos na Igreja São Francisco de Assis, na cidade-satélite de São Sebastião, e frequentava a casa dos pais das crianças. Segundo os menores - cinco meninas e um menino -, os abusos aconteciam há um ano.

No momento da prisão, padre estava na cama com uma mulher nua - secretaria da igreja onde trabalha

No momento da prisão, Figueiredo estava na cama com uma mulher nua - a secretária da Igreja São Camilo, onde o padre também trabalhou durante nove anos. Na casa foi encontrada uma cartucheira, calibre 36.

O padre negou a acusação de estupro e atentado violento ao pudor. Afirmou que a arma era de outra pessoa, mas não explicou as razões de ela estar na sua casa. Ele também será acusado por porte ilegal de armas.

As investigações começaram há três semanas, quando uma mães foi à delegacia denunciar abusos contra seus cinco filhos. O pai das crianças é caseiro de uma propriedade próxima da igreja liderada por Figueiredo. A outra criança, uma menina, é filha de um pedreiro que também trabalha e mora na região.

"Ele atraía os menores com a promessa de ajudar nos deveres de casa e de pagar R$ 20. O dinheiro nunca foi recebido", afirmou o diretor-geral da Polícia Civil do DF, Onofre Moraes.

As crianças afirmaram que os abusos eram cometidos na casa do padre e em suas casas. "Ele fazia visitas com frequência. Almoçava, era amigo dos pais, que também frequentavam a igreja."

As crianças disseram que eram ameaçadas. "Segundo elas, ele falava que os pais seriam demitidos e sempre mostrava a arma que tinha em casa", disse a delegada Valéria Raquel Martirena, que acompanha o caso.

A versão das crianças são coerentes entre si. Elas relataram que o padre, antes do estupro, mostrava um vídeo pornográfico no celular. O telefone foi apreendido e as cenas descritas pelas crianças, reconhecidas.

História. Ordenado padre em 1993, Figueiredo, de 49 anos, exibia uma atuação marcante na vida eclesiástica. Celebrou missas na ala psiquiátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo, integrou a pastoral de saúde da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em Brasília, antes de trabalhar na Paróquia de São Francisco de Assis, trabalhou na Igreja São Camilo, em uma nobre de Brasília, Asa Sul. "Não há acusações confirmadas em outras paróquias. Mas investigações continuam", disse Moraes.

Após a prisão, o padre foi apresentado aos jornalistas. Descalço, com bermuda, camiseta e algemado, ele não falou com jornalistas. Figueiredo está com a prisão preventiva decretada, e o inquérito deve ser concluído em dez dias. O Ministério Público tem até dez dias para avaliar se as provas são suficientes para pedir uma ação na Justiça.

A Diocese de Brasília informou que só se manifestará quando os fatos forem esclarecidos. A assessoria de imprensa da CNBB afirmou que não está definido se o assunto será discutido pelo colegiado na próxima reunião ordinária.
Fonte: O Estado de São Paulo/Lígia Formenti

Jornalista e escritor Daniel Piza morre aos 41 anos

Vítima de AVC, colunista do 'Estado' e autor de 17 livros estava em Minas com a família

Daniel Piza tinha 41 anos - Arquivo/AE
O jornalista Daniel Piza, 41 anos, morreu na noite desta sexta, 30, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Estava em Gonçalves (MG), onde passava as festas de fim de ano com a família. Chegou a ser socorrido pelo pai, que é médico, mas não resistiu.

Paulistano de 41 anos e corintiano fanático, Piza era colunista do jornal O Estado de S. Paulo, onde começou a carreira em 1991. Escrevia aos domingos no Caderno 2 e, desde 2004, assinava também uma coluna sobre futebol, além de manter um blog no portal estadão.com.br. Apresentou os programas Estadão no Ar e Direto da Redação na rádio Estadão ESPN.

Advogado, formado no Largo de São Francisco, era escritor, com 17 livros publicados, entre eles Jornalismo Cultural (2003), a biografia Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro (2005), Aforismos sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010). Traduziu títulos de autores como Herman Melville e Henry James, e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. Fez também os roteiros dos documentários São Paulo - Retratos do Mundo e Um Paraíso Perdido - Amazônia de Euclides.

Daniel Piza deixa mulher, Renata Gonçalves Piza, e três filhos. O sepultamento, ainda sem horário definido, será no Cemitério de Congonhas, em São Paulo.

Carreira
Nos anos de 1990, trabalhou nas editorias de Cultura do Estado, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, na cobertura de literatura e artes visuais. Em maio de 2000, retornou ao "Estado" como editor-executivo e colunista cultural.

No Estado, também foi o responsável por reportagens exclusivas, como o anúncio da aposentadoria do jogador Ronaldo. Entre as grandes coberturas que participou, está a Copa do Mundo de 2010.

Em seu último post, escreveu um breve recado aos leitores, desejando feliz 2012 e anunciando sua volta no dia 11.
Fonte: O Estado de São Paulo

Nota: Interrompemos nosso recesso para noticiar a morte de Daniel Piza, que foi colega de um de nossos filhos na FADUSP (Largo São Francisco).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PRÓSPERO E FELIZ ANO NOVO A TODOS!

O Calendário! Todos os calendários se baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais brilhantes da abóbada celeste, na perspectiva de quem se encontra na Terra - o Sol e a Lua - para determinar as unidades de tempo: dia, mês e ano.

O dia, cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a escuridão da noite, é o elemento mais antigo e fundamental do calendário. A observação da periodicidade das fases lunares gerou a idéia de mês. E a repetição alternada das estações, que variavam de duas a seis, de acordo com os climas, deu origem ao conceito de ano, estabelecido em função das necessidades da agricultura.

O ano é o período de tempo necessário para que a Terra faça um giro ao redor do Sol - cerca de 365 dias e seis horas. Esse número fracionário exige que se intercale dias periodicamente, a fim de fazer com que os calendários coincidam com as estações. No calendário gregoriano, usado na maior parte do mundo, um ano comum compreende 365 dias, mas a cada quatro anos há um ano de 366 dias - o chamado ano bissexto, em que o mês de fevereiro passa a ter 29 dias. São bissextos os anos cujo milésimo é divisível por quatro, com exceção dos anos de fim de século cujo milésimo não seja divisível por 400. Assim, por exemplo, o ano de 1.900 não é bissexto, ao contrário do ano 2.000.

Em astronomia, distinguem-se várias espécies de ano, com pequenas diferenças de duração. O ano trópico, também chamado de ano solar ou ano das estações, tem 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 46 segundos. Compreende o tempo decorrido entre duas ocorrências sucessivas do equinócio vernal, ou seja, do momento em que o Sol aparentemente cruza o equador celeste na direção norte. Em virtude do fenômeno de precessão dos equinócios - causado por uma pequena oscilação na rotação terrestre - o ano trópico é mais curto que o ano sideral, que tem 365 dias, seis horas, nove minutos e dez segundos, tempo que o Sol leva para voltar ao mesmo ponto, em sua aparente trajetória anual. O ano anomalístico compreende o período de 365 dias, seis horas, 13 minutos e 53 segundos, entre duas passagens da Terra pelo periélio, ponto de sua órbita em que está mais próxima do Sol.

Dada a facilidade de observação das fases lunares, e devido aos cultos religiosos que freqüentemente se associaram a elas, muitas sociedades estruturaram seus calendários de acordo com os movimentos da Lua. O ano lunar, de 12 meses sinódicos, correspondentes aos 12 ciclos da fase lunar, tem cerca de 364 dias. Conforme a escala de tempo seja baseada nos movimentos do Sol, da Lua, ou de ambos, o calendário será respectivamente solar, lunar ou lunissolar.

No calendário gregoriano os anos começam a ser contados a partir do nascimento de Jesus Cristo, em função da data calculada, no ano 525 da era cristã, pelo historiador Dionísio o Pequeno. Todavia, seus cálculos não estavam corretos, pois é mais provável que Jesus Cristo tenha nascido quatro ou cinco anos antes, no ano 749 da fundação de Roma, e não no 753, como sugeriu Dionísio. Para a moderna historiografia, o fundador do cristianismo teria na verdade nascido no ano 4 a.C.

Em sentido amplo, todo calendário é astronômico, variando apenas seu grau de exatidão matemática. Classificam-se eles em siderais, lunares, solares e lunissolares.

Calendário sideral:

Baseia-se o calendário sideral no retorno periódico de uma estrela ou constelação a determinada posição na configuração celeste. Para o estabelecimento do calendário sideral, há milênios, utilizou-se a observação do nascer ou do ocaso helíaco (ou cósmico) de uma estrela. Além do nascer ou do ocaso real de uma estrela, respectivamente, pelo horizonte leste ou oeste, chama-se nascer ou ocaso helíaco (ou cósmico) a passagem de um astro pelo horizonte oriental ou ocidental no momento do nascer ou do pôr-do-sol, respectivamente. Quando o astro nasce no momento do pôr-do-sol, ou se põe no momento em que o Sol nasce, diz-se que há nascer ou ocaso acrônicos. Nascer helíaco, portanto, é a primeira aparição anual de uma estrela sobre o horizonte oriental, quando surgem os primeiros raios de sol. Para evitar atraso no registro da data do nascer helíaco, os sacerdotes egípcios, que determinavam as estações em função desse fenômeno, eram obrigados a vigílias rigorosas. Algumas tribos do Brasil e da América do Sul serviam-se do nascer helíaco das Plêiades para indicar o início do ano. O primeiro calendário assírio se baseava no nascer helíaco da constelação de Canis Majoris (Cão Maior), cuja estrela principal, Sirius, tinha importante papel em sua mitologia.

Calendário lunar:

A base do calendário lunar é o movimento da Lua em torno da Terra, isto é, o mês lunar sinódico, que é o intervalo de tempo entre duas conjunções da Lua e do Sol. Como a sua duração é de 29 dias 12 horas 44 minutos e 2,8 segundos, o ano lunar (cuja denominação é imprópria) de 12 meses abrangerá 254 dias 8 horas 48 minutos e 36 segundos. Os anos lunares têm que ser regulados periodicamente, para que o início do ano corresponda sempre a uma lua nova. Como uma revolução sinódica da Lua não é igual a um número inteiro de dias, e os meses devem também começar com uma lua nova, esse momento inicial não se dá sempre numa mesma hora. Por sua vez, na antiguidade, e mesmo depois, houve freqüentes erros de observação desse início.

Para que os meses compreendessem números inteiros de dias, convencionou-se, desde cedo, o emprego de meses alternados de 29 e 30 dias. Mas como o mês lunar médio resultante é de 29 dias e 12 horas, isto é mais curto 44 minutos e 2,8 segundos do que o sinódico, adicionou-se, a partir de certo tempo, um dia a cada trinta meses, com a finalidade de evitar uma derivação das fases lunares. Por outro lado, como o ano lunar era de 354 dias, observou-se que havia uma defasagem rápida entre o início do mesmo e o das estações. Procurou-se eliminar essa diferença, intercalando-se periodicamente um mês complementar, o que originou os anos lunissolares.

O calendário lunar surgiu entre os povos de vida essencialmente nômade ou pastoril, e os babilônicos foram os primeiros, na antiguidade, a utilizá-lo. Os hebreus, gregos e romanos também dele se serviram. O calendário muçulmano é o único puramente lunar ainda em uso. Com Júlio César, Roma adotou um calendário solar que predominou entre as populações agrícolas.

Calendário solar:

Os egípcios foram o primeiro povo a usar o calendário solar, embora os seus 12 meses, de trinta dias, fossem de origem lunar. O calendário instituído em Roma, por Júlio César, reformado mais tarde pelo papa Gregório XIII e atualmente adotado por quase todos os povos, é do tipo solar, e suas origens remontam ao Egito.

O calendário solar segue unicamente o curso aparente do Sol, fazendo coincidir, com maior ou menor precisão, o ano solar com o civil, de forma que as estações recaiam todos os anos nas mesmas datas.

Calendário lunissolar:

Baseia-se o calendário lunissolar no mês lunar, mas procura fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da intercalação periódica de um mês a mais. O mês é determinado em função da revolução sinódica da Lua, fazendo começar o ano com o início da lunação. Para que a entrada das estações se efetue em datas fixas, acrescenta-se um mês suplementar, no fim de certo número de anos, que formam um ciclo. Os babilônicos, chineses, assírios, gregos e hindus utilizaram calendários lunissolares. Atualmente, os judeus - que adotaram o calendário babilônico na época do exílio - e os cristãos se valem desse sistema para determinar a data da Páscoa.

Dia e noite:

Nos calendários lunares e lunissolares o dia tem sempre início com o pôr-do-sol, como ocorre ainda hoje, no calendário judeu e muçulmano. No calendário solar, o dia começa com a saída do Sol, como no antigo Egito. Na Mesopotâmia o dia, para as observações astronômicas, começava à meia-noite, embora o calendário usual partisse do anoitecer. Os chineses e romanos adotaram também a meia-noite para o início do dia, uso que é seguido pelo calendário gregoriano.

O calendário mais bem elaborado das antigas civilizações pré-colombianas foi o maia, e do qual deriva o calendário asteca. Tanto um como o outro tinham um calendário religioso de 260 dias, com 13 meses de vinte dias; e um calendário solar de 365 dias, constituído por 18 meses de vinte dias e mais cinco dias epagômenos, isto é, que não pertencem a nenhum mês e são acrescentados ao calendário para complementar o ano. Esses cinco dias eram considerados de mau agouro, ou nefastos. Um ciclo de 52 anos solares harmonizava os dois calendários, o religioso e o solar. A cada dois ciclos - 104 anos - iniciava-se um ano venusino, de 584 dias, um ano solar, de 365 dias, um novo ciclo de 52 anos solares e um ano sagrado, de 260 dias. Esse acontecimento era comemorado com grandes festas religiosas.

Calendário hebraico:

Os judeus não adotaram o calendário juliano, em grande parte para que sua Páscoa não coincidisse com a cristã. O ano israelita civil tem 353, 354 ou 355 dias; seus 12 meses são de 29 ou trinta dias. O ano intercalado tem 383, 384 ou 385 dias.

O calendário hebraico introduziu pela primeira vez a semana de sete dias, divisão que seria adotada em calendários posteriores. É possível que sua origem esteja associada ao caráter sagrado do número sete, como ocorre nas sociedades tradicionais, ou que se relacione com a sucessão das fases da lua, já que a semana corresponde aproximadamente à quarta parte do mês lunar.

O calendário hebraico começa a contar o tempo histórico a partir do que os judeus consideram o dia da criação. No calendário gregoriano, tal data corresponde a 7 de outubro de 3761 a.C.

Calendário muçulmano:

A civilização islâmica adotou o calendário lunar. Neste calendário o ano se divide em 12 meses de 29 ou trinta dias, de forma que o ano tem 354 dias. Como o mês sinódico não tem exatamente 29,5 dias, mas 29,5306 dias, é necessário fazer algumas correções para adaptar o ano ao ciclo lunar.

Trinta anos lunares têm aproximadamente 10.631,016 dias. Com anos de 354 dias, trinta anos totalizariam 10.620 dias, e por isso é preciso acrescentar 11 dias a cada trinta anos.

A origem do calendário muçulmano se fixa na Hégira, que comemora a fuga de Maomé, da cidade de Meca para Medina, que coincide com o dia 16 de julho de 622 da era cristã, no calendário gregoriano.

Calendário revolucionário francês:

Um caso muito singular é o do calendário republicano, instituído pela revolução francesa em 1793, e que tinha como data inicial o dia 22 de novembro de 1792, data em que foi instaurada a república. Pretendia substituir o calendário gregoriano e tornar-se universal.

O ano passaria a ter 12 meses de trinta dias, distribuídos em três décadas cada mês. Estas eram numeradas de um a três, e os dias de um a dez, na respectiva década, recebendo nomes de primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi, décadi. Deram-se, depois, às décadas, nomes tirados de plantas, animais e objetos de agricultura.

Dividiu-se o dia em dez horas de cem minutos, e estes com cem segundos de duração. As denominações dos meses inspiraram-se nos sucessivos aspectos das estações do ano na França. Aos 360 dias acrescentavam-se cinco complementares, anualmente e, um sexto a cada quatriênio.

O ano desse calendário revolucionário começou à meia-noite do equinócio verdadeiro do outono, segundo o meridiano de Paris. A eliminação das festas religiosas católicas, dos nomes de santos e, sobretudo, do domingo, insuficientemente compensado pelo décadi, indispôs a população. Teve curta duração e a 1º de janeiro de 1806 (com pouco mais de 13 anos), já no primeiro império napoleônico, foi restabelecido o uso do calendário gregoriano.

Calendários juliano e gregoriano:

As origens do calendário juliano remontam ao antigo Egito. Foi estabelecido em Roma por Júlio César no ano 46 a.C. (708 da fundação de Roma). Adotou-se um ano solar de 365 dias, dividido em 12 meses de 29, 30 ou 31 dias. A diferença do calendário egípcio está no fato de se introduzirem os anos bissextos de 366 dias a cada quatro anos, de forma que o ano médio era de 365,25 dias. O esquema dos meses foi reformulado posteriormente para que o mês de agosto, assim nomeado em honra ao imperador Augusto, tivesse o mesmo número de dias que o mês de julho, cujo nome é uma homenagem a Julio César.

Como o ano trópico é de 365,2422 dias, com o passar dos anos se registra um adiantamento na data do equinócio da primavera. Caso fosse mantido o calendário juliano, haveria um adiantamento de seis meses no início das estações, num período de 20.200 anos. Para evitar o problema, o Concílio de Trento, reunido em 1563, recomendou ao papa a correção do inconveniente, que alteraria a data da Páscoa, em virtude dos ciclos de concordância das lunações com o ano solar.

Finalmente, em 1582, o papa Gregório XIII, aconselhado por astrônomos, em particular por Luigi Lílio, obteve o acordo dos principais soberanos católicos e, através da bula Inter gravissimas, de 24 de fevereiro, decretou a reforma do calendário, que passou, em sua homenagem, a chamar-se gregoriano, e é o mais perfeito utilizado até hoje.

Mesmo assim, apresenta algumas deficiências. Uma delas é a diferença com o ano trópico, que aliás não é importante para efeitos práticos. Mais relevante é a diferença na duração dos meses (28, 29, 30 ou 31 dias) e o fato de que a semana, que é utilizada quase universalmente como unidade de tempo de trabalho, não esteja integrada nos meses, de tal forma que o número de dias trabalhados durante um mês pode variar entre 24 e 27.

Além disso, nos países cristãos, a data em que se comemora a Páscoa é determinada por critério lunissolar, que pode acarretar variação de dias e conseqüentemente alterar atividades educacionais, comerciais, de turismo etc. Outro inconveniente é o de não existir um ano zero, o que obriga uma operação matemática estranha, para calcular a diferença em anos de um fato ocorrido antes do nascimento de Cristo, em comparação com outro, ocorrido na era cristã. Existem várias propostas para solucionar essas questões, nenhuma delas ainda adotada.

Apesar de representar um avanço, o calendário gregoriano demorou para ser aceito, principalmente em países não-católicos, por motivos sobretudo político-religiosos. Nas nações protestantes da Alemanha, foi adotado no decorrer dos séculos XVII (em poucos casos, antes de 1700) e XVIII (Prússia, 1775); na Dinamarca (incluindo então a Noruega), em 1700; na Suécia (com inclusão da Finlândia), em 1753. Nos cantões protestantes da Suíça, no princípio do século XVIII. Na Inglaterra e suas colônias, entre as quais os futuros Estados Unidos, em 1752. Nos países ortodoxos balcânicos, depois de 1914 (Bulgária, 1916, Romênia e Iugoslávia, 1919; Grécia, 1924). Na União Soviética, em 1918. Na Turquia, em 1927. No Egito, já havia sido adotado para efeitos civis desde 1873, mesma data em que foi aceito no Japão. Na China foi aceito em 1912, para vigorar simultaneamente com o calendário tradicional chinês, até 1928. No Brasil, então colônia de Portugal, que na época estava sob domínio da Espanha, o calendário gregoriano entrou em uso em 1582.

Os dias da semana:

No Império Romano, a astrologia acabou introduzindo, no uso popular, a semana de sete dias (septimana, isto é, sete manhãs, de origem babilônica). Os nomes orientais foram substituídos pelos latinos, do Sol, da Lua e de deuses equiparados aos babilônicos. Por influência romana, os povos germânicos adotaram a semana, substituindo, por sua vez, os nomes das divindades latinas por aqueles das suas, com que mais se assemelhavam, exceção feita de Saturno, cujo nome se limitaram a adaptar.

Com o cristianismo, o nome do dia do Sol passou de Solis dies a Dominica (dia do Senhor, Dominus) e o Saturni dies (dia de Saturno) foi substituído por Sabbatum, dia do descanso (santificado). As línguas romanas, com exceção do português, conservaram as formas derivadas dos antigos nomes latinos, com essas alterações.

O português adotou integralmente a nomenclatura hebdomadária do latim litúrgico cristão, que designou os dias compreendidos entre o domingo e o sábado por sua sucessão ordinal depois do primeiro dia da semana.

No grego moderno prevaleceu prática semelhante. Em várias línguas germânicas, a cristinianização dos respectivos povos acarretou a substituição do dia de Saturno pelo de véspera do domingo (Sonnabend ou Samstag, alemão) ou, ainda, dia do Senhor (Lördag, sueco).

O domingo conservou o nome de dia do Sol. Em algumas línguas germânicas, o antigo dia de Odin tornou-se o de meio da semana (Mittwoch, alemão), que corresponde à quarta-feira.

Os similares germânicos de Marte, Mercúrio, Jove (Júpiter) e Vênus eram, respectivamente, Ziu ou Tiwaz ou Tyr; Wodan ou Odin; Thor ou Donar; Frija ou Frigg ou Freya.

Como vimos existem vários calendários, mas o que vigora em todo omundo é o Juliano/Gregoriano.

Os religiosos comemoram as datas de seus calendários,  única e tão somente, dentro de suas respectivas comunidades.

Assim, amnhã é o útlimo dia do ano de 2011, respeitados os fusos horários.

Dessa forma, este blog entrará em recesso por alguns dias.

Às mais de 250 mil pessoas que acessaram o blog Interativo e àss dezenas de seguidores, nossos sinceros votos de

PRÓSPERO ANO DE 2012!
Antônio Ribeiro

Fonte:  Superdicas (http://www.superdicas.com/milenio/calendar.asp)

Estreias dos filmes da semana (30/12)

Veja os trailers e as sinopses dos lançamentos nos cinemas


1 – Imortais Épico – (Immortals) EUA, 2011. Direção: Tarsem Singh. Elenco: Henry Cavill, Mickey Rourke, Freida Pinto, Stephen Dorff, Luke Evans, John Hurt, Isabel Lucas, Kellan Lutz. Classificação: 16 anos.

Quando o poderoso exército do Rei Hipérion (Mickey Rourke) avança em busca de uma mítica arma capaz de libertar os Titãs cativos e deflagrar uma guerra contra os deuses, o jovem Teseu (Henry Cavill), um bastardo discriminado, é forçado a tornar-se um líder para salvar seu povo da destruição.



2 – Triângulo Amoroso Drama – (3) Alemanha, 2010. Direção: Tom Tykwer. Elenco: Sophie Rois, Devid Striesow, Sebastian Schipper. Duração: 119 min. Classificação: 16 anos. Estreia em São Paulo.

A história de amor de Hanna e Simão, casal que vive em Berlim, e o envolvimento de ambos com um mesmo homem.



Fonte: Opinião e Notícia

Chile retira 700 turistas devido a incêndio na Patagônia

Site mostra imagem de incêndio na Reserva Nacional da PatagôniaA Secretaria Nacional de Emergência do Chile (Onemi, na sigla em espanhol) informou nesta sexta-feira que cerca de 700 turistas foram retirados das zonas de risco da região de Magalhães por conta de um incêndio que já dura três dias.

O diretor da Onemi, Vicente Núñez, destacou que o acesso de turistas à região está proibido até novas instruções. Segundo ele, "esta situação corresponde a um incêndio de características extremas, principalmente por conta das condições de topografia, fortes ventos e o estado de vegetação altamente combustível".

Núñez ainda explicou que o combate ao fogo foi realizado ontem com a ajuda de 120 voluntários e que hoje o número de pessoas deve duplicar com a ajuda de funcionários da Corporação Nacional Florestal do Chile, membros do Exército, bombeiros, além de equipes argentinas.

Socorristas da Argentina se juntaram aos chilenos para tentar apagar as chamas que já consumiram aproximadamente 5.700 hectares do Parque Nacional Torres del Paine, um dos principais pontos turísticos do Chile, localizado no extremo sul do país, na Patagônia chilena.

Fonte: Folha de São Paulo

Espanha anuncia cortes de € 8,9 bilhões e deficit de 8% do PIB

O novo governo conservador espanhol anunciou nesta sexta-feira um primeiro pacote de medidas de austeridade no valor de € 8,9 bilhões (cerca de € 11,53 bilhões) para combater um deficit público que, segundo afirmou, se situará em torno de 8% do PIB em 2011.

"O primeiro dos pedidos adotados pelo conselho de ministros é um acordo de não disponibilidade [do gasto] no valor de € 8,9 bilhões", afirmou a ministra porta-voz, Soraya Sáenz de Santamaría, em uma coletiva de imprensa ao término da reunião do executivo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy.

A Espanha, um dos países mais afetados pela crise na Europa e pela explosão da bolha imobiliária, está sob intensa pressão do mercado com relação à sua capacidade de controlar as finanças públicas. Madri tem visto seus prêmios de risco dispararem a máximas recordes, devido a temores de contágio econômico após a Grécia pedir socorro internacional em maio de 2010.


Dominique Faget/France Presse
Ministros espanhois concedem entrevista ao lado da porta-voz do governo após reunião de gabinete
Ministros espanhois concedem entrevista ao lado da porta-voz do governo após reunião de gabinete


A número dois do governo também anunciou que o deficit público da Espanha se situará neste ano em torno de 8% do PIB, e não de 6%, como havia previsto o governo anterior socialista de José Luis Rodríguez Zapatero.

"O desvio que ocorreu em relação ao deficit orçamentário é substancialmente muito superior ao que havia sido comunicado e comprometido pelo governo anterior", disse Sáenz de Santamaría.

"Estamos diante de uma situação extraordinária e imprevista" que ocasionará medidas de rigor "extraordinárias e imprevistas", acrescentou a porta-voz, que também é vice-presidente do governo e ministra da Presidência.

Entre as medidas decididas nesta sexta-feira, incluem-se "manter o congelamento do salário dos funcionários públicos", aplicado já neste ano pelo governo de Zapatero, depois de tê-los reduzido em 5% em 2010.

O novo executivo conservador também decidiu que não serão substituídas as vagas em aberto de todas as administrações públicas, com exceção dos serviços básicos como educação, saúde e forças de segurança.

"Os funcionários públicos voltam a ser os bodes expiatórios para aliviar as contas deficitárias do Estado", disse o sindicato União Geral de Trabalhadores em um comunicado.
Rajoy já havia anunciado que seu governo aplicará grandes cortes orçamentários para reduzir o deficit a 4,4% do PIB em 2012.

Estes cortes seriam de € 16,5 bilhões (cerca de US$ 21,34 bilhões) se o deficit de 2011 se situasse em 6%, como o previsto, mas advertiu que seriam aumentados em € 10 bilhões por cada ponto percentual adicional.

O governo também anunciou nesta sexta-feira "um aumento temporal de determinados impostos" para "aqueles cidadãos que ganham mais ou possuem mais", entre eles o imposto sobre a renda.

Fonte: Folha de São Paulo

Paraguaio é condenado a 22 anos de prisão por engravidar filha

O paraguaio Agapito Ocampo Fernández, de 55 anos foi condenado à 22 anos de prisão por abusar por cinco anos da própria filha, com quem teve mais três filhos/netos. Os abusos ocorreram quando a jovem tinha 13 anos de idade. Uma das crianças nasceu com problemas neurológicos.

A condenação foi dada pelos juízes Miguel Bernardez, Víctor Alfieri e Blas Ramón Cabriza, que por unanimidade aplicaram pena máxima. As acusações foram de coação sexual e incesto.

Segundo a psiquiatra forense Adelaida Núñez, Ocampo “apresenta um diagnóstico de pedofilia” e possui uma personalidade com pouco controle de impulsos agressivos.

A vítima também falou com a psiquiatra e revelou o que sentia. “Me dava nojo quando todos os dias me violentava dizendo que mataria minha mãe ou iria violar minha irmã menor”, teria dito. A advogada de defesa de Ocampo disse que irá recorrer da sentença. Ocampo sustenta que as relações sexuais eram consentidas e que nunca engravidou a moça.

O que diz a mãe

A mãe da vítima é a hondurenha Elena B. e ela contou que a filha nunca comentou quem eram os pais das crianças. “A primeira gravidez disse que era do namorado, a segunda, fruto de um estupro e o terceiro de uma relação esporádica”. Mesmo a filha tendo dito que foi vítima de estupro, a mãe nunca procurou a Justiça. Os abusos teriam ocorrido entre 2001 e 2005 na Colônia Campo 9, de Caaguazú/PY. Atualmente a vítima tem 24 anos e mudou-se do Paraguai.
 
Fonte: Correio do Estado/MS

Dois são presos por caça ilegal de Curiós no Rio Paraná

Os pássaros foram soltos pela PMA no mesmo local em que foram capturados

GABRIEL MAYMONE
Djavan Hemerson Gomes Helias, de 21 anos, e Renan da Silva Oliveira, de 20 anos, foram presos por volta das 11h18min desta sexta-feira (30) por Policiais Militares Ambientais (PMA) às margens do Rio Paraná, próximo ao município de Selvíria (MS) com três Curiós, transportados sem a documentação ambiental exigida.


Os jovens alegaram à polícia que utilizaram uma gaiola tipo alçapão para capturar os pássaros, que foram soltos mais tarde pela PMA no mesmo local onde foram capturados. Os rapazes foram conduzidos para a delegacia de polícia de Selvíria para as providências cabíveis.

Fonte: Correio do Estado/MS

Italiano de 99 anos pede divórcio por caso de esposa nos anos 40

Antonio C. descobriu cartas de amor em gaveteiro antigo e esposa confessou ter tido um amante há mais de 60 anos.

Um italiano de 99 anos decidiu se divorciar de sua mulher após 77 anos de casamento depois de descobrir que ela teve um caso secreto nos anos 1940.



Segundo jornais italianos, Antonio C. descobriu a traição em 2002, ao encontrar cartas de amor escondidas em um gaveteiro antigo.


Confrontada pelo marido na ocasião, Rosa C., de 96 anos, confessou ter escrito as cartas a um amante havia mais de 60 anos.


Desde então, o casamento passou por sérias provações, com constantes ataques de ciúmes e ressentimento de Antonio, que, quase dez anos depois de descobrir a traição e apesar dos apelos da mulher, resolveu dar entrada nos papéis do divórcio.


O casal se conheceu nos anos 30 em Nápoles, onde Antonio era policial. Eles se casaram em 1934, tiveram cinco filhos e têm mais de uma dezena de netos.


Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, acredita-se que o caso marque um novo recorde, pelo menos no que concerne a idade de Antonio - ele passa ser o homem mais velho a entrar com processo de divórcio.


Até então, o casal mais idoso a se separar oficialmente era formado pelos britânicos Beartie e Jessie Wood, quando ambos estavam com 98 anos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Fonte: O Estado de São Paulo

Leite tipo B sai do mercado na segunda-feira

Produto caiu em desuso; leite tipo C não é vendido há cerca de cinco anos

O leite tipo B sumirá das prateleiras dos supermercados brasileiros a partir de domingo. "Vamos retirar a produção do tipo de leite que não se usa mais; o leite B e C foram caindo em desuso", explicou o secretário substituto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Enio Marques. Há cerca de cinco anos, o produto tipo C já não é mais encontrado no mercado.

Marques não soube dizer qual o volume exato da produção do leite do tipo intermediário no Brasil, mas disse que era um volume já muito pequeno. "Já era quase nada. Tinha mais em São Paulo", comentou.

O leite pasteurizado tipo A precisa ser produzido, beneficiado e envasado em estabelecimento denominado "granja leiteira". O tipo B é produzido em estábulo leiteiro e beneficiado e envasado em usinas de beneficiamento ou entreposto-usina. Nos dois casos, os locais devem atender a uma série de exigências estruturais, de higiene e de controles, inclusive em termos de sanidade do rebanho, e deve ser registrado no serviço de inspeção. A classificação por letra não leva em conta o teor de gordura do produto. Isso é feito por meio de outra nomenclatura já bastante popularizada: integral, padronizado, semi desnatado ou desnatado.

O conceito de Leite tipo C remetia ao leite produzido nas fazendas leiteiras e beneficiado e envasado nas usinas de beneficiamento e entrepostos usinas. Este tipo de leite não possuía limites de qualidade para o produto cru. O leite C foi elaborado em um período onde a grande maioria do leite brasileiro era transportada em latões, sem refrigeração.

Com a publicação da Instrução Normativa número 51, de 2002, sobre o estabelecimento de padrões de qualidade para todo o tipo de leite cru, a implantação da refrigeração do leite na propriedade e a coleta a granel, o leite C perdeu o sentido de existir. Atualmente, o leite que não se classifica como A ou B é denominado apenas como leite pasteurizado, conforme a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura.

Fonte: O Estado de São Paulo/Célia Froufe