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| Queda, só no sudesta (Revista Veja - ed. 2 de março) |
No fim da década de 90, o então governador Mario Covas definiu as diretrizes que até hoje orientam seus sucessores: repressão ostensiva, desarmamento de bandidos e distribuição de forças pautada por critérios de inteligência. Em 1999, surgiu o Infocrim, um sistema de computador que ajuda a polícia a identificar qual a rua onde mais se roubam carros ou a área em que mais se mata, por exemplo.
Com base nesse tipo de informação, ficou mais fácil definir os locais onde a repressão ostensiva merece carga máxima. Datam daquele período também as primeiras iniciativas de desarmamento maciço de bandidos por meio de batidas policiais em ruas e bares. Recentemente, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que a cada dezoito armas retiradas das mãos de assaltantes uma vida é poupada. A prioridade do estado em combater a violência também se reflete no investimento na área de segurança. Com o salto de 2,5 bilhões de reais, no início da década de 90, para os atuais 12 bilhões de reais, a eficiência, claro, aumentou. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por exemplo, que solucionava apenas 20% dos casos em 2001, esclareceu 66% deles em 2010. A polícia de São Paulo também prende mais bandidos do que as outras. Apesar de concentrar 22% da população brasileira, o estado abriga em seus presídios 35% dos detentos do país. Isso é fundamental para conter a criminalidade. Bandido dentro da cadeia significa bandido fora da rua.
No Rio, as morres também caíram, mas em ritmo diferente. A redução começou em 2007, com o início da retomada de territórios dominados pelo tráfico e da adoção de um modelo planejado de repressão ao crime. No ano passado, o Rio conseguiu romper urna barreira histórica. Foi a primeira vez, desde 1991, que menos de 5 000 pessoas foram mortas no estado. A experiência das Unidades de Polícia Pacificadora nos morros se mostrou positiva, assim como o sistema de bonificação aos policiais que reduzem os índices de violência em sua área de atuação.
Já nas regiões Norte e Nordeste, a situação nunca foi tão grave. O número de nomes mais do que dobrou no período da pesquisa. O endurecimento da repressão em São Paulo e no Rio e o crescimento econômico daquelas regiões, com a consequente atração que ele provoca em quadrilhas de narcotraficantes, são algumas das explicações para o fenômeno. Muitos bandidos migraram para lá - e atrás deles seguiu a violência. Combatê-la com sucesso, como mostram os exemplos de São Paulo e do Rio, é, sim, uma decisão política.
Revista Veja - Laura Diniz/ Assessoria de Imprensa da SSP/SP



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